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Ode ao Ubuntu-PT
May 8th

No além mar também existe Ubuntu. É o caso da comunidade Ubuntu-PT, que possui um Planeta, como também aqui temos. Em homenagem a esta comunidade, ofereço para os leitores do Planeta Ubuntu Brasil um trecho de uma obra dos mais célebres portugueses que inaugura aquilo que nos mais une Brasil e Portugal no Software Livre: a língua portuguesa.
Depois de procelosa tempestade,
Noturna sombra e sibilante vento,
Traz a manhã serena claridade,
Esperança de porto e salvamento;
Aparta o sol a negra escuridade,
Removendo o temor do pensamento:
Assim no Reino forte aconteceu,
Depois que o Rei Fernando faleceu.
“Porque, se muito os nossos desejaram
Quem os danos e ofensas vá vingando
Naqueles que tão bem se aproveitaram
Do descuido remisso de Fernando,
Depois de pouco tempo o alcançaram,
Joane, sempre ilustre, alevantando
Por Rei, como de Pedro único herdeiro,
(Ainda que bastardo) verdadeiro.
“Ser isto ordenação dos céus divina,
Por sinais muito claros se mostrou,
Quando em Évora a voz de uma menina,
Ante tempo falando o nomeou;
E como cousa enfim que o Céu destina,
No berço o corpo e a voz alevantou:
- “Portugal! Portugal!” alçando a mão
Disse “pelo Rei novo, Dom João.” -
Início do Canto IV da obra ‘Os Lusíadas‘, de Camões.
Empacotar é coisa do século passado – acordo de cooperação tecnológica
Feb 3rd

Em seu blog, Ian Murdock, o fundador do Debian nos diz em ‘Como gerenciamento de pacotes mudou tudo‘ que:
Qual é o maior avanço que o Linux trouxe para a indústria ? Essa é uma pergunta interessante, e uma que na minha opinião tem uma resposta simples: Gerenciamento de pacote ou, mais especificamente, a capacidade de instalar e atualizar software através da rede de uma forma transparente, integrada e elegante, juntamente com o modelo distribuído de pacotes. (adaptado)
De fato, é um diferencial ímpar. Mas esta tecnologia do mundo GNU Linux está presa ao século passado. Os programas já compilados que instalamos nas nossas distribuições favoritas são produzidos em um processo artesanal que me remete as antigas linhas de montagem em que cada produto precisava ser manualmente embalado.
Divido aqui a comunidade de software livre em dois grandes tipos: aquela que desenvolve, que está engajada diretamente na produção de software, na programação dele. São projetos como OpenOffice, Gnome, Apache etc. Do outro lado, temos também as comunidades que distribuem esses softwares, que fazem as distribuições como Debian, Ubuntu, Fedora, ArchLinux etc. São grupos bem distintos com culturas bem distintas e integrados pela prática rococó do empacotamento.
Para efeito de conversa, pensemos no Apache, exemplo favorito de Sergio Amadeu. Quando o projeto Apache lança uma nova versão de seu software, ele lança apenas o código fonte. Cada usuário GNU Linux, para utilizá-lo, tem que baixar o código-fonte e prepará-lo para compilar. Tal tarefa não é uma das mais fáceis e exige tomada de decisão baseada em quesitos técnicos. Cada dependência, cada pedacinho que compõe o programa teria que ser separadamente baixado, compilado e configurado manualmente. Para ferramentas grandes como Gnome e KDE isso chega a levar dias. Por isso vou um pouco além de Murdock: eu diria que o GNU Linux seria insalubre se não fossem os sistemas de gerenciamento de pacotes. Tais sistemas permitem a mágica do único comando ou com um punhado de cliques, o Apache seja instalado já previamente compilado e pré-configurado para o uso mais comum.
Mas… como o pacote do Apache ou de qualquer outro software são gerados ? Eis o processo que me dá arrepios: assim que uma nova versão do software é lançada, um voluntário de cada distribuição GNU Linux existente tem que manualmente fazer o download da nova versão do programa, compilá-la, configurá-la e por tudo isso em um pacote, que por si só, o empacotamento não é um processo simples e como a compilação, exige um engajamento em questões técnicas profundas. De fato, é uma otimização. Uma pessoa faz o trabalho sujo uma vez para que as outras milhares possam queimar essas etapas demoradas e chatas.
- Oras Kurt, mas se é tão bom, do que estas reclamando ?

Bem, não posso dizer pelos outros, mas me sinto muito estúpido quando sou obrigado a fazer algo que uma máquina faria muito mais rápido e eficientemente do que eu. Se toda a internet funciona com máquinas independentes, sendo a intervenção humana resumida a alguns Homer Simpsons olhando LEDs piscarem, por que cada singelo software tem que ser manualmente baixado, compilado, configurado e empacotado ? É uma perda de material humano e de tempo.
De fato, a força do Software Livre está em sua construção colaborativa. Mas precisamos depositar força de trabalho naquilo que realmente demanda por um cérebro orgânico. Por que não criamos scripts e softwares que automaticamente criem pacotes para cada distribuição ? Por que precisamos depender de um voluntário para que tenhamos em nossa distribuição favorita um software ? Tal processo ineficiente gera distorções: algumas distribuições tem um pacote e outras não, algumas tem versões mas atuais outras com versões antiquérrimas. Se todos usamos GNU Linux, por que manter em um cenário tão desigual em termos de disponibilidade de software ?
Em vez de cada distribuição criar a cada lançamento de softwares um pacote para ele, basta cada distribuição criar uma única vez um script para empacotar o Apache e a cada nova versão deste software, o script detecta, baixa, compila, configura e põe no repositório devido (por exemplo, os testing ou development).
- Eu já pensei nisso, mas é algo difícil de se fazer…
É difícil porque cada comunidade de desenvolvimento adota padrões diferentes. Tal diversidade atrapalha a construção destes scripts e intrisicamente seu funcionamento. O que venho aqui neste artigo propor de novo é um Acordo de Cooperação Tecnológica (ACT). Se conseguirmos padronizar o modus operandi das comunidades que desenvolvem software livre e das que distribuem, esses scripts funcionariam com tranquilidade. Mas, jamais para criar um padrão único para todas as distribuições e sim acordos de duas partes envolvidas: uma distro e um software combinam um padrão para que o empacotamento possa ser realizado. É a criação de um acordo, uma promessa de se deter a um padrão e não criar um padrão único. Exemplificando: é combinar qual vai ser o uniforme de um colégio e não que todos os colégios do mundo tenham o mesmo uniforme.
Nesse acordo, os projetos de softwares livres que possuem comunidade sólidas, como os que eu mencionei ao longo deste artigo, entrariam em acordo de cooperação com os responsáveis das distribuições que os utiliza ou os distribuem automaticamente instalados (como é o caso do Gnome para Ubuntu) para estabelecer algumas regras, algumas guidelines para o lançamento de novas versões. Onde fica que o arquivo XPTO, como que é a estrutura de XYZ, onde se armazenará o metadata da descrição do programa etc… de forma que:
a) A comunidade que desenvolve o software se compromete a seguir certos padrões no lançamento de seu código fonte, estabelecidos em consenso interno e com as comunidades das distribuições.
b) Cada distribuição assinante do acordo se compromete em desenvolver e manter scripts que façam o empacotamento automático.
- E se o script em algum momento falhar ?
É aí que finalmente deve entrar a força de trabalho humana, lendo os logs do script para detectar o erro, e providenciar a correção dele junto a comunidade que desenvolve o software ou reparando o bug do script para que ele volte a ser autônomo. Também o acordo não iria engessar os desenvolvedores e arrastá-lo para padrões artificiais. Na verdade, ninguém precisa mudar de padrão. Apenas eles precisam ser estabelecidos, listados, fixados, para que os scripts possam ser construídos e funcionarem. Dessa forma, estaremos construindo toda uma cadeia produtiva de lançamento de software livre, caminhando para mais um salto evolutivo nos sistemas operacionais GNU Linux.
UPDATE: Tenho ciência que algumas distribuições mais voltadas para a compilação no ambiente do usuário (como Gentoo e ArchLinux) têm automações parecidas. Não estou aqui sugerindo um processo na relação entre o usuário e o processo de instalação de softwares e sim no processo de empacotamento que a maioria das distribuições Linux fazem entregando ao usuário binários já compilados em forma de pacotes que dependem de intervenção humana. Se observarmos os dados do Distrowatch retirados hoje, temos como distribuições mais populares:
1- PCLinuxOS – RPM
2- Ubuntu – DEB
3- OpenSUSE – RPM
4- Fedora – RPM
5- LinuxMint – DEB
6- Sabayon – Portage
7- Mandriva – RPM
8- Debian – DEB
9- Mepis – DEB
10- Damn Small Linux – DEB
11- CentOS – RPM
Excetuando o Sabayon, todos utilizam essa abordagem manual na criação de pacotes.
Suporte a mensagens offline no Pidgin
Jan 27th

A que tudo indica, o pombo correio mais querido do mundo do Software Livre deve suportar o envio e o recebimento de mensagens offline para a rede MSN dentro de pouco tempo. É isso que se pode concluir através do roadmap do projeto, a partir do item Activate MSNPv14, versão do protocolo MSN que implementa este recursos. Alguns mensageiros instantâneos como o Emesene já utilizam tal versão do protocolo e o tradicional Pidgin é retrógrado nesse sentido. Talvez se deva pela implementação ser considerada de baixa prioridade (minor) como consta nesta roadmap.
A conclusão pode ser tirada pelo número de tickets da implementação do MSNPv14 na plataforma Trac do Pidgin. Dos 4 tickets (= pendências) desta novidade, apenas um resta ser resolvido. Este ticket corresponde a incapacidade de se remover contatos após a fusão da nova versão do protocolo. Mas, não quero aqui lançar falsas esperanças: há quase 1 ano acompanho esse processo e pouquíssimas colaborações são feitas. Quando abordei developers do projeto tentando persuadí-los a dar mais atenção para a questão, as respostas mais delicadas que recebi foram ‘use Jabber‘. Bem, se apenas dizer isso bastasse, eu não teria mais contatos no MSN e não estaria preocupado com isso. Mas somente com amplas manifestações na lista de e-mail do projeto é que podem saltar aos olhos dos desenvolvedores a importância e a urgência de tal recurso. Portanto, convido todos a fazerem tais manifestações.
Essa situação depõe contra o Linux e outros sistemas operacionais livres. Já vi muitas pessoas debocharem do Linux dizendo algo como ‘ué, mas nem com mensagem offline o Linux é compatível ?‘. É um raro quesito em que Windows fanboys têm razão. Eu dependo do Pigdin por conta dos múltiplos protocolos, por isso não migro para o Emesene. Mas tenho que ter a irritante rotina de logar conta por conta que tenho do MSN no Emesene para ler as mensagens offline. Pelo menos, acho isso menos pior do que o uso de scraps do Orkut para recadinhos assíncronos. Como costumo dizer, scrapbook não é porta de geladeira.
Claro: o pior cego é aquele que não quer ver
Sep 29th

Quando adquiri uma linha da Claro, todos que conheço torceram o nariz e disseram que eu teria problemas na certa. Demorou, mas estavam corretos. A Claro tem se demonstrado ser o pior tipo de cego: aquele que não quer ver.
Paguei minha conta no mês de julho e até a primeira semana de setembro, eles não conseguiram detectar o pagamento da mesma. Coisa que qualquer muambeiro que vende pelo MercadoLivre consegue fazer com perícia. Fui contactado pelo setor de cobrança (que parece ter uma preferência por ligar bem cedo pela manhã) e orientado a enviar um fax com o comprovante de pagamento.
Mas pera aí, um fax ?! Estamos em 2007 ! Que tipo de empresa, ainda mais uma de tecnologia, que oferece serviço de internet móvel, se relaciona com seu cliente por um… fax ? Ah, claro, a Claro ! Me recusei a enviar o fax por meios próprios. Não tenho aparelho de fax e não tem cabimento esse equipamento em tempos atuais. Perguntei a atendente se poderia enviar o comprovante digitalizado por e-mail, ela disse que não seria possível.
Como não tenho fax, eu teria que ir na rua no meu escasso tempo durante o horário comercial caçar um funcionando perto de um lugar que eu trabalhe. Além disso, teria que pagar pelo envio. Oras, se eu adimpli, se eu paguei minha conta, por que tenho que pagar para provar que paguei ? Discuti com a atendente que isso não fazia sentido e ela concordou (em algum acesso raro de lógica por parte de alguém que trabalhe lá).
A atendente me sugeriu que eu fosse até uma loja própria da Claro e pedisse lá que me enviassem o tal fax. Agora sim fazia sentido, eu seria atendido presencialmente num estabelecimento da empresa e lá fariam os trâmites corretos. Assim que fiz, fui numa dessas lojas próprias cujo endereço a atendente me passou e entreguei o comprovante original de pagamento explicando meu caso. A moça que me atendeu dirigiu-se para trás do balcão, passou o fax na minha frente e me entregou o comprovante, agradecendo e desejando-me um bom dia. Considerei o problema resolvido até que 3 dias depois, numa manhã de sábado meu telefone toca. Era o setor de cobrança da Claro, adivinhem, cobrando a conta de julho. E para eles, nenhum fax foi enviado. Incrível, não ?
E agora, o que farei ? Me recuso a pagar para provar que cumpri com meus compromissos fiinanceiros. Tentei utilizar o serviço EmailFax.com.br para cumprir a missão, mas com esse serviço não é possível enviar sinais DTMF antes do sinal de fax, tornando-se impossível navegar em um menu antes de mandar o sinal de fax, que é o caso do atendimento da Claro.
Meu karma com fax não para por aí: só esse ano a incompetência da ItauSeguros a fez perder duas vezes documentos que enviei por fax sobre o furto do meu carro. Será que essas empresas não perceberam que fax é um veículo caro, lento e problemático ? Estamos em plena era das multifuncionais… se você solicita que seu cliente envie uma imagem digitalizada, ela pode ser arquivada na empresa, replicada para vários setores, aparecer na tela do atendente do callcenter… enfim, possibilidades infinitas. Agora quando insistem que dados e documentos sejam transmitidos e armazenados em fiinas folhas curvas de papel, os acidentes são recorrentes e meu caso é para provar isso.

Se tratando de fax, o Ubuntu Gutsy Gibbon, próxima versão do sistema que será lançado no dia 18 de outubro tem novidades. O pacote hplip-gui trás uma ferramenta para envio de faxes e um address book de contatos para as multifuncionais da HP com suporte a fax. Apesar de ter encontrato impressoras dessa modalidade a partir de 300 reais, não é o meu caso. Possuo uma Photosmart C3180 que para minha surpresa foi automaticamente detectada e instalada no Gutsy: bastou ligar ela na tomada e no cabo USB que sem qualquer clique ou configuração, o Ubuntu a detectou e a ativou pronta para uso.
Por fim, queridos profissionais de TI: utilizem um neurônio a mais e por favor, implementem um sistema de recebimento e gerenciamento de imagens em anexo por e-mails. Isso qualquer sobrinho seu que saiba PHP poderá fazer por um preço bastante singelo. Ele pode usar a API do EmailFax.com.br. E quem sabe com a economia que o sistema gerará e a satisfação do cliente você conseguirá ser promovido… seria uma boa, não ? Nem precisa dizer que fui eu que deu a idéia
SPAM da Novell
Sep 27th

foto por Dave Golden
Lembram-se da Novell que levou 30 dias para responder um e-mail de alguém querendo contratar seus serviços ? Menina má: não só a empresa me provocou enorme decepção e agora parece que tem buscado causar minha profunda irritação.
Poucas coisas na internet conseguem ser mais detestáveis que SPAM. Também, poucas coisas conseguem depor mais contra uma empresa como a prática do SPAM. Pois bem, eu tentei fazer um orçamento de uma solução em Software Livre da Novell e além de terem levado 30 dias para responder, agora passei a receber SPAM desta empresa.
Hoje em menos de 1h recebi dois e-mails não solicitados e enviados em massa da Novell, assinados por Ana Dos Santos (ADosSantos@novell.com) e Marcus Almeida (MALMEIDA@novell.com). Em ambos, oferecendo serviços de treinamento em administração de servidores SUSE e mais especificamente no primeiro, os preços variam de R$1.200,00 a R$3.600,00. Será que um treinamento desse nível e com esse preço depende de SPAM para fazer sucesso ? Duvido muito. Como disse antes, só depõe contra.
A senhora Ana dos Santos eu nunca tive contato na minha vida, nem sabia que existia. Mas o Marcus Almeida já fez um tardio mas educado contato comigo, relatado no meu post anterior. Mas o que me chama atenção no e-mail dele é o aviso de rodapé:
Importante: Esta mensagem deve ser lida e utilizada apenas pelo destinatário ao qual é enderecada e pode conter informacões confidenciais ou sob algum tipo de restricão de divulgacão sob as penas
da lei.Confidentiality Notice: This message is intended only for the use of the individual or entity to which it is addressed, and may contain information that is privileged, confidential and exempt from disclosure under applicable law.
Ou seja, não basta mandar SPAM, tem que ameaçar judicialmente caso o conteúdo seja publicado ? Essa cara-de-pau acho que nem empresas startups de fundo de quintal gerida por adolescentes têm.

No véu da Novell
Sep 16th
Quando um amigo me veio pedir opiniões sobre a lojinha que vai abrir, minha primeira pergunta foi sobre os computadores. Eu fico incomodado quando vou comprar um mero refrigerante e me deparo com o logotipo do Windows no canto esquerdo da tela do caixa. Pensando em toda filosofia do software livre e nos custos mais baixos que ele tem a oferecer, resolvi voluntariosamente orçar para meu amigo quanto custaria manter todos os computadores do novo empreendimento dele, desde o caixa até o laptop dele, com soluções ou em software livre ou open source.
O primeiro lugar que me veio em mente foi a Novell. Eles fizeram uma boa apresentação na Semana do Software Livre na UNIRIO no ano passado, falando do case das Casas Bahia, onde todos os computadores rodam Suse, até o leitor magnético do ponto dos funcionários. Foram claros como as Casas Bahia economizaram ao utilizar as implementações e suporte técnico das Novell em vez de ficarem reféns de uma única empresa, vocês sabem muito bem qual.
Então utilizando um formulário de contato no site brasileiro da empresa, pus meus contatos telefônicos e eletrônicos, solicitando contato para orçar toda uma solução de TI para uma empresa, utilizando software livre ou open source.
Com a ajuda do Turicas, constatei através do log da conta Jabber dele, que eu havia dito no dia 16 de agosto que havia entrado em contato com a Novell. E hoje, 16 de setembro, há 2h atrás, recebo este e-mail:
Prezado Kurt,
Nosso maior desafio é siimplificar os ambientes tecnológicos, torná-los cada vez mais gerenciáveis, pois com isto, queremos que nossos clientes cuidem dos seus negócios, fazendo da tecnologia um aliado não um problema.
Sentimo-nos honrados com o seu interesse.
Faço questão de me colocar a disposição para ajudá-lo com maiores informações sobre a Novell e nosso produtos, nas áreas:
- Segurança;
- Gerenciamento de Recursos e ativos;
- Desktop;
- Workgroup;
- Data Center
- Open Source
- Linux
Atenciosamente,
Marcus Vinicius de AlmeidaDiretor de Alianças e ParceriasNovell do Brasil
Uma noiva pode deixar o noivo esperando. Uma empresa não pode deixar um cliente 30 dias no altar. Esse momento de pré-venda é crucial, é a primeira impressão que o cliente tem antes de assinar um contrato e, nesse caso, seria um casamento. No caso de um divórcio… e toda uma infra-estrutura de TI em uma arquitetura, quem ficaria com a custódia das crianças ?
Apesar do e-mail polido e sem internetês, obviamente perdi totalmente o interesse. Na verdade, até havia esquecido que entrei em contato com a Novell. E pelo andar da carruagem, irei perder a oportunidade de libertar uma pequena empresa do monopólio de Redmond. Na lata, respondi:
Olá,
Não tenho mais interesse nas soluções da Novell já que levaram mais de
1 mês para entrar em contato comigo. Se para fechar uma nova
venda/contrato é esse o tempo que se leva, fico suspeitando quanto
tempo levaria para ter um problema resolvido caso migrasse toda a
parte de TI de um business para a Novell.Como sou adepto do Software Livre, espero e torço que não seja esse o
tipo de tratamento que vocês dêm aos clientes que utilizam
implementações livres.Atenciosamente,
Kurt Kraut (ubuntu@kurtkraut.net)
www.kurtkraut.net
E parece que o 16 é um número cabalístico, pois 16 minutos depois, recebo a resposta:
Prezado Kurt,
Em primeiro lugar meu pedido de desculpas.
Assumi a área agora. Estou tentando tirar todo o atraso, veja que enviei este email para você num domigo. Ler a sua resposta faz parte do ônus que terei daqui para frente, devido algumas ações que deixamos de executar.
Realmente respondo este email muito sentido. Espero que não fique com esta impressão. A Novell é uma empresa que quer se aproximar da comunidade e das pessoas que trabalham com Software Livre, sabemos da importância de vocês.
Finalizo pedindo-lhe desculpas, mais uma vez.
Forte Abraço e boa semana!
Marcus Almeida
Mais uma vez, um e-mail bem redigido e no meu entender foi uma boa postura diante do que aconteceu. Mas não mudou minha sensação, minha suspeita. Como posso indicar a Novell, como posso assinar embaixo e fazer com que meu amigo confie a área de TI do business dele a uma empresa que leva 30 dias para responder um contato de venda ? Todo casal começa cheio de carinho e atenção, e com o passar da relação, o interesse e o cuidado diminuem. Se é assim que começaria a relação comercial com a Novell, imagine como seria durante o final ?
Quanto ao ‘veja que enviei este email para você num domigo’, no meu entender, para TI não tem domingo, natal ou reveillon. A internet é 24x7x30x365, vendas e problemas podem acontecer a qualquer hora do dia. Não vejo o atendimento em domingo algo excepcional, acho que é o mínimo que se pode fazer para quem tem e-mails 30 dias atrasados. Não é a toa que hoje só adquiro produtos da Linksys e hospedo sites na UPX: ambas atendem plenamente todos os dias da semana.
Por fim, desejo sorte ao Marcus. Pelo visto tem muito trabalho por fazer.
EmailFax.com.br: enviando e recebendo fax via internet
Sep 16th

Tive a oportunidade de experimentar o serviço EmailFax.com.br, que permite o envio e o recebimento de fax via internet. Em meu teste, enviei um fax para meu advogado José Vitor, em Santa Catarina, que está me assessorando em um caso contra a operadora Claro, o que deve render um post assim que concluído.
O preço é bastante modesto, mais barato que enviar fax pelas papelarias do centro do Rio de Janeiro. Eles operam em um regime de créditos, portanto, pré-pago. Quanto mais créditos você comprar, menor é o valor por crédito adquirido. Ou seja, quanto mais você consumir, menos irá pagar por fax. O que é bastante sensato, diferentemente de serviços que nos cobram mais quanto mais precisamos deles. Inicialmente cada crédito custa R$1,00 – chegando a custar 89 centavos quando comprado em um pacote de 500 créditos. A cada página será debitado 1 crédito no primeiro minuto. Após o primeiro minuto, a cobrança é por tempo, sendo cobrado 0,1 créditos a cada 6 segundos. Esses valores são para qualquer envio para telefones no Brasil, que é válida para a maioria dos outros países. O envio de uma página para o José Vitor (ou seja, do RJ para SC) me custou R$1,40. Por enquanto a inclusão de créditos é feita apenas por cartões de crédito da bandeira Visa ou AMEX e, em breve, via boleto bancário. Vale a pena frisar que os créditos não expiram: uma vez adquiridos, você pode utilizá-los quando quiser.
A imagem acima demonstra a interface do sistema assim que se entra com login e senha. O seu saldo atual e as tarifas são expostos logo de cara, uma postura ao meu ver bastante correta. O site é bastante intuitivo e leve, pois não abusa de imagens ou recursos pedantes como Flash. Basta nessa tela, preencher o código do país, o DDD e o número do telefone para o qual se deseja enviar um fax e embaixo indicar qual arquivo deseja enviar. São suportados os formatos DOC, PDF, TIF, TXT, XLS, HTM, PPT, GIF, JPG, PS, RTF, BMP e PCX. Senti falta dos formatos ODF e do PNG, o que é amenizado pela presença do PDF e do PS. Ao enviar o fax, o número de telefone indicado irá tocar já com o sinal de fax. Automaticamente ou manualmente o destinatário terá que ativar o sinal de fax para que a transação prossiga.
Assim que o arquivo selecionado é enviado para o sistema, uma página o manterá informado sobre o status do envio. A achei bastante elucidativa.

É possível visualizar o fax tanto antes como depois de seu envio. Há uma página que contém o histórico dos faxes enviados com suas respectivas imagens e status. No meu caso, houve a falha no envio de um deles pois não me deram sinal de fax:

O fax foi recebido por meu advogado em boa qualidade, como qualquer fax comum. E isso porque estamos falando de envio. O serviço permite ainda o recebimento de fax, com um número de telefone com os códigos de área 11, 21, 27, 48 e 85. E não para por aí: eles disponibilizaram uma API que permite que um programador faça um sistema que automaticamente se integre ao EmailFax.com.br. Imagine seu site, sua intranet ou qualquer sistema enviando e recebendo faxes automaticamente. Isso o EmailFax permite.
Gostei muito do serviço e virei freguês. Gostei por existir atendimento por telefone, os e-mails do suporte são respondidos rapidamente e também pela sensibilidade com a blogosfera: para fazer esse review paguei nada. Eles geraram créditos para que eu pudesse analisar o serviço. Isso é uma característica típica de uma empresa que confia no seu taco. Fica aí então a dica.
Em resposta ao Oheremita: pensando sobre o ato de estudar
Sep 8th

Este post é uma resposta a outro post escrito por Oheremita em seu blog em julho deste ano. Nele, Oheremita nota algo que usualmente deixamos escapar: lembramos com detalhes de muitos filmes que já vimos, até os que não gostamos. Mas dificilmente lembramos do conteúdo que aprendemos na escola, as vezes, a até a matéria que foi vista essa semana. E conclui dizendo:
Hoje temos a “tecnologia”, efeitos especiais, podemos criar dinossauros como se fossem de verdade, naves espaciais, mundos imaginários, gerras cataclísmicas (…). Penso que se usarmos nossa capacidade e transformarmos nossa escola, de inspetora para orientadora, e a tecnologia das artes cênicas, mais notadamente o cinema, para ensinar aos nossos filhos, poderemos dar mais um passo rumo a uma civilização…
Realmente, hoje a escola parece mais inspecionar do que orientar. É que o mundo mudou muito mais rápido do que ela consegue entender e nesse descompasso quem mais perde é o professor e o aluno. Mas não foi a escola que, de repente, se tornou desinteressante. Foi o mundo que passou a ser muito mais interessante que a escola.
O professor hoje raramente dispõe mais do que 5 cores de giz para utilizar no quadro negro enquanto o aluno tem no bolso da calça um display LCD da ordem de milhões de cores acoplado em um celular repleto de jogos. Um mero prato de arroz, feijão e bife tem muito menos sabor do que os biscoitos ultravitaminados, hipercoloridos que explodem na boca, deixam a língua azul e ainda com direito a brinquedinho novo no final. Tanto os professores como os pais cairam numa luta desleal contra a parafernália atual que desvia a atenção de nossos jovens e os viciam. Vício ? Sim, vício por estímulo.
Veja como os sentidos da geração que hoje freqüenta a escola é bombardeada. No visual, quase tudo ou pisca ou brilha no escuro. Na audição, os mp3 players, os toques de celular, o surround na TV em casa. No tato os diversos tecidos, texturas, cama de mola, os infláveis, os emborrachados (e indestrutíveis). No paladar os biscoitos ultravitaminados, os refrigerantes, iogurtes. No olfato os perfumes, tanto as colônias para passar no corpo como também no cheiro artificial dos brinquedos. E raramente os sentidos são estimulados sozinhos: pense no quão forte é o gosto e o cheiro de um pacote de Cheetos, como são barulhentos e piscantes os brinquedos de camelô ou ainda os controles de videogame que tremem quando algo acontece na tela.
Nossos jovens são viciados em estímulos. Não me excluo disso: também sou. Estamos tão acostumado a ter nossos sentidos estimulados que poucas quantidades de estímulos são desinteressantes ou entediantes. É assim que o joguinho de celular é mais interessante que uma aula de Biologia. É assim que um pacote de Trakinas é mais interessante que o arroz e feijão.
Resta então uma dúvida cruel para a escola: como combater o desinteresse dos alunos ? Combatendo o vício dos estímulos, fazendo-os desacelerar o ritmo louco que vivemos hoje e tentando proporcionar a eles uma vida mais pacata (e até saudável) ou tornar o espaço da sala de aula também hiperestimulante para fisgar os alunos ? Me parece que a maioria tem optado por combater fogo com fogo: entrando na era do hiperestímulo.
Quem deslancha na ponta, como era de se esperar, é a rede privada não-tradicional. Cursos de inglês, por exemplo, já têm em redes inteiras datashow e computador em cada sala de aula, onde as aulas são ministradas com recursos multimídia do computador, permitindo interatividade sob o acompanhamento de um professor. Aos poucos também as escolas regulares estão entrando nessa onda, principalmente com a disseminação dos ‘Colégios e Cursos‘, pois, por terem uma cultura de pré-vestibular, trazem o perfil do professor showman, que usa microfone, que ensina coreografias, danças e músicas para fixação do conteúdo.
Qualquer que seja a abordagem, seja no desacelerar em busca de uma escola mais zen ou numa escola multimídia e jovem, a peça mais importante é o professor. Ele precisa ser capacitado para ambas abordagens e no caso da segunda, ela precisa ser feita com Software Livre.
Afinal, educação em tecnologia sem Software Livre não é educação: é adestramento. No máximo, treinamento. Uma escola que oferece uma formação para a atualidade não pode apenas tratar o computador como um o templo da dupla ‘Editor de texto e impressora‘. Da mesma forma como a escola tem que oferecer um letramento textual, permitindo que o aluno aprenda a ler, escrever, interpretar e se expressar, tem que também oferecer um letramento digital. Desmistificar a tecnologia, o funcionamento da internet, as novas relações humanas, financeiras e intelectuais estabelecidas através da internet e novos os paradigmas de propriedade intelectual. Por acaso existe algo melhor que Software Livre para fazer isso ? Acho que não
O erro é mais didático que o acerto, Andréa
Aug 28th

Depois que o jornal Estadão cantou de galo sobre a blogosfera tentando semear no público uma desconfiança sobre a inteligência coletiva disseminada pela internet, ficou claro e documentado que a mídia tradicional não consegue compreender os rumos que a atualidade tem apontado na criação, gestão e disseminação da informação além do olhar preconceituoso e pueril que esses veículos lançam sobre estes rumos.
Nessa semana, um artigo publicado no caderno de educação do jornal Folha de São Paulo (em sua versão online) as 12h40min do dia 25/08/2007 confirma o que eu percebia dando palestras em faculdades: a academia, com sua cultura tradicional e erudita é incapaz de compreender o momento da tecnologia da informação que vivemos agora e já começa a tentar defender seus meios e hábitos como um menino arredio. Nesse artigo, sobre o uso de editores de texto em computadores, Andréa Jotta Nolf, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP é entrevistada:
“Quem faz texto no Word, por exemplo, tem tudo corrigido automaticamente.” Dessa forma, diz ela, o estudante deixa de prestar atenção em regras básicas da ortografia. “A solução é que as escolas peçam alguns trabalhos escritos à mão, pelo menos nas séries iniciais“, afirma Andréa.
Não. O erro é mais didático que o acerto, Andréa. Quando uma pessoa escreve uma palavra de ortografia incorreta, o computador não corrige o erro magicamente. O usuário é alertado por um grifo pontilhado e vermelho abaixo da palavra e quando se clica com o botão direito sobre ela, o editor sugere uma listas de palavras que parecem a ele mais adequadas para o contexto. Ao ser obrigado a interagir com o programa e selecionar uma palavra mais adequada, o aluno estará aprendendo qual é a ortografia correta da palavra que por impulso ou hábito fonético ele escreveu errado. E mais, algumas palavras que não eram do conhecimento do aluno podem ser exibidas nesta lista, enriquecendo o vocabulário. Essas oportunidades de aprendizagem só acontecem com um editor de texto, dificilmente ocorreriam em meios tradicionais.
De fato, nas séries iniciais é necessário que o letramento ocorra de forma manuscrita. Mas, assim que a criança desenvolver a coordenação motora fina suficiente para que sua expressão escrita seja inteligível a outras pessoas, ela pode ser submetida ao uso de um editor de texto ou a um computador como um todo sem qualquer tipo de prejuízo. Muito pelo contrário, as oportunidades são ampliadas quando esse tipo de prática é feita, como discuti anteriormente. Oportunidades que são facilmente percebidas quando se experimenta uma ferramenta antes de emitir um parecer sobre o uso dela a um jornal em nome de um núcleo de pesquisas de psicologia em informática.
Também não posso deixar de registrar meu desconforto ao ver que o uso de uma marca registrada de um produto é utilizado como sinônimo de editor de texto. É uma boa oportunidade de lembrar que o Word não é a única forma de se escrever, editar e imprimir textos em um computador. As outras alternativas são, do ponto de vista técnico, muito superiores a ele. Recomendo conhecê-las.
Fica aqui o sinal de alerta para a comunidade acadêmica: baixem as armas. Tentem estudar e usufruir do que a tecnologia da informação tem de melhor para ajudar o desenvolvimento do conhecimento. Se a academia continuar apegada aos seus vícios e tradições, ficará à margem das práticas sociais mediadas em ambientes virtuais e por tabela aquém do bendito ‘mercado de trabalho‘ que todo universitário quer atender.
por Kurt Kraut




