Geek profissional
O erro é mais didático que o acerto, Andréa

Depois que o jornal Estadão cantou de galo sobre a blogosfera tentando semear no público uma desconfiança sobre a inteligência coletiva disseminada pela internet, ficou claro e documentado que a mídia tradicional não consegue compreender os rumos que a atualidade tem apontado na criação, gestão e disseminação da informação além do olhar preconceituoso e pueril que esses veículos lançam sobre estes rumos.
Nessa semana, um artigo publicado no caderno de educação do jornal Folha de São Paulo (em sua versão online) as 12h40min do dia 25/08/2007 confirma o que eu percebia dando palestras em faculdades: a academia, com sua cultura tradicional e erudita é incapaz de compreender o momento da tecnologia da informação que vivemos agora e já começa a tentar defender seus meios e hábitos como um menino arredio. Nesse artigo, sobre o uso de editores de texto em computadores, Andréa Jotta Nolf, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP é entrevistada:
“Quem faz texto no Word, por exemplo, tem tudo corrigido automaticamente.” Dessa forma, diz ela, o estudante deixa de prestar atenção em regras básicas da ortografia. “A solução é que as escolas peçam alguns trabalhos escritos à mão, pelo menos nas séries iniciais“, afirma Andréa.
Não. O erro é mais didático que o acerto, Andréa. Quando uma pessoa escreve uma palavra de ortografia incorreta, o computador não corrige o erro magicamente. O usuário é alertado por um grifo pontilhado e vermelho abaixo da palavra e quando se clica com o botão direito sobre ela, o editor sugere uma listas de palavras que parecem a ele mais adequadas para o contexto. Ao ser obrigado a interagir com o programa e selecionar uma palavra mais adequada, o aluno estará aprendendo qual é a ortografia correta da palavra que por impulso ou hábito fonético ele escreveu errado. E mais, algumas palavras que não eram do conhecimento do aluno podem ser exibidas nesta lista, enriquecendo o vocabulário. Essas oportunidades de aprendizagem só acontecem com um editor de texto, dificilmente ocorreriam em meios tradicionais.
De fato, nas séries iniciais é necessário que o letramento ocorra de forma manuscrita. Mas, assim que a criança desenvolver a coordenação motora fina suficiente para que sua expressão escrita seja inteligível a outras pessoas, ela pode ser submetida ao uso de um editor de texto ou a um computador como um todo sem qualquer tipo de prejuízo. Muito pelo contrário, as oportunidades são ampliadas quando esse tipo de prática é feita, como discuti anteriormente. Oportunidades que são facilmente percebidas quando se experimenta uma ferramenta antes de emitir um parecer sobre o uso dela a um jornal em nome de um núcleo de pesquisas de psicologia em informática.
Também não posso deixar de registrar meu desconforto ao ver que o uso de uma marca registrada de um produto é utilizado como sinônimo de editor de texto. É uma boa oportunidade de lembrar que o Word não é a única forma de se escrever, editar e imprimir textos em um computador. As outras alternativas são, do ponto de vista técnico, muito superiores a ele. Recomendo conhecê-las.
Fica aqui o sinal de alerta para a comunidade acadêmica: baixem as armas. Tentem estudar e usufruir do que a tecnologia da informação tem de melhor para ajudar o desenvolvimento do conhecimento. Se a academia continuar apegada aos seus vícios e tradições, ficará à margem das práticas sociais mediadas em ambientes virtuais e por tabela aquém do bendito ‘mercado de trabalho‘ que todo universitário quer atender.
por Kurt Kraut
| Print article | This entry was posted by kurtkraut on 28 de August de 2007 at 19:00, and is filed under Educação, Planetas, Software Livre. Follow any responses to this post through RSS 2.0. You can leave a response or trackback from your own site. |
about 4 years ago
A partir do momento que generalizamos qualquer assunto que seja, tendo em vista somente nossa opinião, somos fadados ao erro.
Não posso afirmar que um editor de texto é ruim completamente, tampouco crucificá-lo por sua existência. Utilizar de hipóteses infundadas para justificar uma educação de péssima qualidade nas escolas de hoje é pura hipocrisia.
Posso concordar em pontos, louvar o editor de texto e ao mesmo tempo criticá-lo. Partindo de que a automatização citada pela Andréia possa ser mais bem trabalhada no contexto, acredito que sublinhar uma frase apontando um erro de concordância e não evidenciar esse erro com regras gramaticais é um grande problema, porém a correção conforme KurtKraut expôs é interessante.
Certamente a criança, ou quem quer que seja, estará aprendendo muito mais ao corrigir erros de ESCRITA DAS PALAVRAS utilizando um editor de texto com estas funções, justamente por terem preguiça em procurar no dicionário.
Será que anexar regras de nossa língua ao editor não seja mais produtivo? Talvez a resposta seja positiva, mas que tal aproveitar o momento e abrir esta discussão para o desenvolvimento de uma tecnologia eficiente, ao invés de ter aversão à nova era?
about 4 years ago
Obrigado pelo rico comentário.
Queria explorar a situação que você colocou:
‘Certamente a criança, ou quem quer que seja, estará aprendendo muito mais ao corrigir erros de ESCRITA DAS PALAVRAS utilizando um editor de texto com estas funções, justamente por terem preguiça em procurar no dicionário.’
Por isso nunca um computador vai substituir um professor. Quando se coloca o computador no espaço da escola e quando o uso dele é incorporado na sala de aula, não se pode fazer como os que atiraram os cristãos aos leões. O professor tem que supervisionar e conduzir toda a produção dos alunos e a interação deles com a máquina.
O professor pode pedir que os alunos ao fazerem uma modificação sugerida pelo corretor ortográfico justifiquem por escrito o por que da escolha baseado nas regras do nosso idioma no final do documento. Ou ainda, caso o editor seja software livre (como o OpenOffice), os próprios alunos podem desenvolver macros, plugins ou auxiliares (addon) que anexam as regras de nossa língua ao editor como você sugeriu.
Mais uma vez, oportunidades de ensino-aprendizagem muito mais ricas do que apenas escrever no papel, entregar para o professor e receber dias depois uma nota em um papel cheio de marcações em caneta vermelha. É usar o computador em favor da educação, não contra e nem em substituição dela.
about 4 years ago
O computador é uma ferramenta de auxílio ao profissional, seja ele educacional ou não. O computador, “jamais” vai ser o ator principal e o professor o coadjuvante.
É notável como “grandes” nomes da educação possam dar exemplos quase infundados e ficar mencionando produtos M$ como se fossem pico culminante de tecnologia.
Não precisamos errar para aprender, muitos ja erraram na nossa frente, podemos pular etapas.
about 4 years ago
O computador pode ser usado com sucesso e efetividade na educacao.
A psicologia já sabia disso desde 1950, mas hoje se esqueceu disso.
Vide Skinner teaching machines
O problema entao é mais embaixo (muito mais)
Aprender com editor de texto não é aprender muita coisa nao
mesmo com o corretor ou sem (tb tem os que nao usam ou os que passam a correcao sem revisar)
Deveriam ser desenvolvidos softwares especificos para essa finalidade
E o grande problema nem é no uso na escola (onde os professores nao sabem ensinar pois nao sabem mexer nos micros)
O problema maior sao nos chats, blogs e msgs.
A linguagem da net
about 4 years ago
Gostei muito do artigo, mas tem um erro pequeno.
Quando você diz que o word não corrige as palavras automaticamente, isso é meio que um erro, pois palavras sem acentuação e palavras com acento em lugares errados ele corrigue automaticamente. Acho que nisso que a autora da reportagem se referiu no seu texto.
about 4 years ago
Obrigado pelo elogio. Mas, mesmo ele corrigindo em alguns casos automaticamente ainda assim ele manifesta algum sinal de mudança, seja piscando ou por um de seus ícones animados. E ainda fazendo correções sem intervenção humana, o uso do computador não presta um deserviço à educação como deu a entender a fala da Andréa na reportagem ao ponto de migrarmos para textos manuscritos.
Mais uma vez citando o Software Livre, em editores de texto como o OpenOffice, esses comportamentos podem ser modificados, desde exigindo do aluno sempre uma intervenção humana ou gerando relatórios para o professor dos erros mais comuns gerados pelos alunos em uma atividade orientada no laboratório de informática.
about 4 years ago
Discordo parcialmente de você!
Ao utilizar um editor de texto, realmente há muita interação e tal. Mas não esqueça que as crianças estão tendo dificuldades em aprender as regras gramaticais, as regras de escritas, como por exemplo quando usar X, S, SS, Ç, justamente pela facilidade dos editores.
Acho sim que no início todos os alunos sejam obrigados a escrever os trabalhos à mão e depois evoluir para o computador.
Infelizmente com o computador, as crianças também estão criando verdadeiros dialetos. Eu por exemplo ao ver o caderno de minha filha, fiquei espantada ao ver coisas do tipo:
u1000d -> humilde
kbçaum -> cabeção
Tá, isso desperta a criatividade, mas é muito ruim devido estarem levando para a vida real também.
São vários lados que devemos analisar.
about 4 years ago
Olá anahliman. Obrigado pelo comentário exemplificado.
Eu fiquei pensando no seguinte… a confusão nas sílabas em que o mesmo som tem diferentes ortografias (S e Ç por exemplo) é uma confusão muito natural, que existe com freqüência muito antes do surgimento de qualquer editor de texto. Não acho que temos aí uma relação de causa e efeito.
Quanto aos dialetos, eles não são ‘problemas’ criados pelo computador. São, ao meu ver, fenômenos comum da língua. Quem frequenta academias acaba criando um ‘dialeto’ próprio, quem trabalha na construção civil tem outro… enfim, cada grupo modifica a língua para seu uso específico, com seu vocabulário próprio.
No caso da internet, isso se manifesta na forma e no conteúdo. Sua filha fazer anotações pessoais no genuíno internetês não é problema. Desde que, na hora de uma prova, redigir uma carta ou qualquer espaço formal ela saiba que ortografia usar.
Linguagem é como a moda: para cada ocasião temos um traje adequado ou mais prático. Devemos é saber usar o armário que temos
about 4 years ago
Opa Kurt!
Artigo e comentários fantásticos… poderia dizer até que referência para quem trabalha com educação!
Parabéns!
about 4 years ago
Concordo plenamente!
Inclusive eu vejo isso nas próprias academias quanto a implementação do Sistema EAD [Ensino A Distância], por exemplo. Os alunos são quase que educados, “clandestinamente”, por muitos professores a se opor ao sistema cegamente. Pois só é possível realmente “aprender” com aulas presenciais. E isso é uma grande mentira!
Que eles tenham medo pelas substituições que o Sistema irá promover. Sobre a forma capitalista como as instituições, principalmente particulares, terminam adotando junto ao Sistema. Criticá-lo é impedir a tecnologia de dar um passo adiante.
Vou dar um exemplo prático…
Vamos pegar os alunos tímidos como exemplo. Eles raramente se pronuncia nesse debates presenciais. Raramente expõe o seu ponto de vista. E raramente serão completamente “formado” a partir dos seus pensamentos e ideias. Apenas tentam absorver a ideia dos outros e moldar à sua. Enquanto que em um fórum, ou no sistema Moodle [mais comum hoje em dia], por exemplo, esse aluno terá sim uma participação efetiva e uma melhor formação de opinião e conhecimento.
Enfim…
Gostei do texto! E viva as novas tecnologias!
Saudações,
Vinícius Alves.
about 4 years ago
Me permita fazer umas perguntas: As empresas ainda contratam contadores que usam papel e caneta em lugar de computadores, mesmo sabendo que o governo só aceita certas informações, daquelas que são enviadas periodicamente, por meio eletrônico?
O que será que diriam os Acadêmicos da época de Pedro Alvares Cabral, se lhes fosse dito que aquele trajeto de Cabral, seria percorrido em apenas algumas horas? (jato concorde)
O mundo gira, as coisas mudam, não há quem possa mudar.
A propósito, alguém já leu uma parte que fosse, de um texto original de Luiz de Camões? Aquilo era língua portuguesa.
Felicidades!!!
T+
about 4 years ago
Olá, estou gostando mto do seu blog….
Queria uma ajuda… estou escrevendo um TCC sobre esse assunto do word, como ferramenta auxiliar. Comecei relatando a atividade q fazemos na escola q queria mto sugestoes sua… o q posso explorar mais no meu TCC, sugestões de artigos, bibliografias, enfim…
pena q me prazo é muito curto…
Obrigada
abs
about 4 years ago
Este descolamento entre a comunidade acadêmica e a sociedade mundial referente às possibilidades e limites das tecnologias é realmente um fato e porta principal para o desinteresse cada vez maior pelas peculiaridades educacionais. Observamos em nosso dia-a-dia que uma grande parcela dos cursos educacionais não contempla uma utilização sadia das ferramentas tecnológicas, limitando-se quando muito a ferramentas de busca ou softwares pedagógicos, que estão muito aquém dos interesses dos jovens que lotam as carteiras das escolas e universidades.
Quanto às formas de auto-correção do Word, realmente o autor tem plena razão, ao considerar que não somente a atenção realizada pelo utilizador se encontra direcionada para a seleção da palavra correta, mas que esta velocidade de processamento da informação atinge muito mais a este indivíduo que o próprio modelo de ensino da língua portuguesa, em seu mais alto grau.
Se as escolas estimulassem esta forma de uso, seguramente amenizaria a flexibilização da língua portuguesa gerada pela interação online.
Vale discutir se tal flexibilização é um empobrecimento ou um enriquecimento do idioma.
about 3 years ago
Como disse o Sérgio, Artigo e comentários fantásticos.
Fiquei com vontade de adicionar alguns pontos:
- A correção automática (até mesmo a de acentuação que foi citada) pode ser habilitada e desabilitada pelo usuário.
- Algumas vezes, as “correções” sugeridas pelo software estão em desacordo com o uso moderno da lingua, questão de atualização de dicionários, ou mesmo palavras de lingua estrangeira.
- Estudos a respeito da identificação de palavras durante a leitura, apontam que o reconhecimento das mesmas não é feito caractere por caractere, e sim atraves da estética geral formada pela soma dos mesmos. Essa estética é a mesma presente em editores de texto. Letras de máquina. Considero mais importante incentivar a leitura que criticar o uso de meios informatizados para a redação de textos.
Mesmo sendo do final da década de 80 e usuária ávida de tecnologias, grande parte desse “dialeto virtual” me desagrada. Essa novidade de querer substituir o til por “u”, sendo que originalmente o mesmo é uma derivação do n (se não estou enganaada), ou então o uso exacerbado do x em detrimendo dos cedilhas, ou mesmo esses me deixa ortigraficamente perturbada.
De resto concordo que cada área tem seu dialeto especifico. Para qualquer médico HC será hospital das clinicas, para qualquer jurista, será habeas corpus…
about 2 years ago
Gostei já add este site nos meus favoritos.. Bom pacas!!!
about 1 year ago
Concordo com a afirmação de que a comunidade acadêmica deva abaixar as armas, porém toda essa critica aos editores de texto do comutador é fundamentada por um medo de um professor conservador de um universo novo, um universo que ele não entende.
about 1 year ago
Kurt, parabéns pelo texto.
De fato, na maioria das vezes, o erro ortográfico não é corrigido automaticamente pelo programa. Ele indica o erro e sugere palavras similares. Esta é uam boa maneira de aprender com o erro.
Um abraço,
Bruno
about 1 year ago
Kurt, texto interessante.
Concordo com você quanto ao fato de que a produção textual em Editores de Texto não prejudica a aprendizagem da criança, ou aluno, na área da ortografia. Creio que o essencial seja o ensino de qualidade nas escolas, pois somente assim haverá a verdadeira compreensão de tal conteúdo por parte dos alunos. Também não creio, portanto, que Editores de Texto ajudem no aprendizado, afinal acaba que essa correção (das linhas pontilhadas de vermelho) ocorre de forma maquinal, sem qualquer reflexão acerca da ortografia das palavras.
about 1 year ago
Achei o comentário muito interessante pois nunca pensei sobre esse assunto em particular. Acho válido as duas argumentações, tanto da Andrea Nolf, quanto do segundo autor. Andrea Nolf, pelo que consta, é da area de pesquisa. Logo, imagino que ela deve ser feito pesquisas para falar o que falou. É o que espero. Mas o argumento do colega Kurk é muito forte. Entrei no curso de Estatística porque não gosto de achometros. Todo mundo pode achar o que quiser. Mas gosto de testes estatíticos pois, se bem feitos, mostram o que acontece de verdade (ou pelo menos sua probabilidade). Entao seria interessante ver os estudos em que a Andrea se baseou. Sou sempre neutra até que resultados CONFIAVEIS sejam mostrados. E claro, se outros resultados foram mostrados em cima dos primeiros, vamos abrir a cabeça. Aliás, tudo tem sido tão volátil. Educação é voltatil, moral, tecnologia. Quem somos nós para DIZER com 100% de certeza qual o melhor caminho. Para isso, por favor, exponham dados, pesquisas, credenciais, e metodologias. E ainda assim.. sempre sabendo que podemos estar completamente enganados!!!
about 1 year ago
Com toda certeza o software e a internet dispõe de informações e soluções que podem gerar conhecimento. O exemplo do corretor do editor de textos mostra em parte como ele pode ser utilizado para o enriquecimento de vocabulário.
Quanto a “academia” creio que isso seja resistência
de pessoas que ainda não usufruiram dessa poderosa
ferramenta e estão mais presas a velhas “teorias” que
em alguns casos são achismos. O que não pode é generalizar, pois a academia está inserida na sociedade e como qualquer outra instituição têm serus vários pontos de vista e focos de resistência. Por outro lado, a própria academia tem se tornado uma importante aliada
do software livre, do aprendizado e do conhecimento através da modalidade de Ensino a Distância para citar apenas um exemplo.
about 1 year ago
about 1 year ago
Prezado Kurt,
Gostei muito dos comentários e concordo que ainda existam acadêmicos resistentes ao novo mundo da tecnologia da informação, uma vez que não conseguem enxergar que este novo universo propicia o aprimoramento tanto da escrita como da leitura e da interpretação.
about 1 year ago
Muito bacana esse comentário! E, infelizmente, esse pensamento de que a tecnologia atrapalha ainda está por aí.
Já ouvi professores falarem, como se fosse motivo de orgulho, “não sei mexer em nenhum software, faço tudo à mão”. Isso é ficar pra trás, dinossauro, sem acompanhar a evolução do mundo e aproveitar seus inúmeros benefícios.
about 1 year ago
Parabéns, ótimo texto!
Realmente temos que nos adaptar as mudanças, afinal, nada é imóvel.
As novas tecnologias devem ser utilizadas para agregar aos meios tradicionais, não faz sentido haver conflitos, se ambos visam o conhecimento.
O erro é sim uma forma de aprendizagem, inclusive, a melhor delas (na minha opinião). Temos que visar a diversidade em prol do conhecimento!
about 1 year ago
Gostei bastante do artigo. O uso e as implicações das tecnologias de informação é um tema muito em voga e que deve ser discutido.
Acredito que a posição da Andréa Jotta Nolf, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP, é radical demais. Também concordo que ela é reducionista quando se refere ao Word como se fosse o único editor de texto disponível.
Os editores de texto são uma ferramenta extremamente útil na vida acadêmica e profissional de qualquer pessoa hoje em dia. A questão é como utilizar bem essas ferramentas para que facilitem a nossa vida, mas sem deixar de lado o conhecimento. Afinal, as tecnologias não funcionam por si mesmas; elas necessitam que alguém que saiba manejá-las, alguém que pense.
Por outro lado, apesar de o computador avisar o usuário sobre o erro, acho que as pessoas ficam muito mais preguiçosas diante da tela de um computador e acabam, muitas vezes, nem atentando para os erros. No caso das crianças, em séries iniciais, se elas já tiverem uma bagagem de aprendizado na escola provavelmente estarão mais atentas às regras gramaticais; isso seja num texto manuscrito ou num computador.
Não podemos simplesmente apontar os pontos negativos das tecnologias de informação e decidir ignorá-las. Nossa vida já depende completamente dessas ferramentas. É preciso, portanto, que haja uma convergência: saber incorporar as tecnologias ao nosso dia-a-dia, utilizando o melhor que elas podem nos oferecer, sem, no entanto, negar totalmente as regras.
about 1 year ago
Kurt, é natural pensar que os jornalistas não gostam de blogs. Eles estão perdendo o mercado!
Antigamente as pessoas liam notícias em jornais, provavelmente compravam apenas um. Hoje temos acesso a várias opiniões, de diversas fontes, para termos a nossa própria.
Claro, o objetivo dos internautas não é falir os jornaleiros. Mas o mundo muda, e eles deviam se adaptar a essa nova realidade, ao invés de lutar contra.
about 1 year ago
Falar que o programa corrigi automaticamente mostra que ela não usa nem sabe como funciona ou, então, é só vontade de falar mal mesmo, do jeito que der. Nem que seja necessário distorcer as coisas.
Não tinha pensado dessa maneira sobre isso. Mas tenho uma idéia do porque disso. Se não for o programa, quem tem que fazer a correção ortográfica é o professor. Sem ter essa tarefa ele sente que perdeu espaço. Além do que, se não tiver picuinha para ficar atazanando os alunos, vai ser necessário focar mais no que realmente importa: semântica, organização da idéias, capacidade de expressão. Isso dá mais trabalho pro professor.
about 1 year ago
Está me parecendo que há um mesmo entendimento entre a psicóloga entrevistada pela Folha e o editor deste blog quando assinalam que o aluno deveria nas primeiras séries, ou de vez quando, fazer trabalhos manuscritos. Com isto também eu concordo.
A ferramenta de edição de textos exige que o aluno saiba de suas atribuições e/ou funções tanto quanto consultar normas registradas nos compêndios de gramática descritiva. O manejo destes editores enseja a que o aluno faça por sim mesmo a apreensão do que seja correto. Isto é de muita valia pedagógica, mesmo porque ele estará enriquecendo seu discurso ao visualizar sugestões de uso de outros vocáculos.
about 1 year ago
Kurt,
Parabéns pelo site. Encontrei-o através do texto “Linux e Direção” e gostei muito do conteúdo.
Sobre este texto, o ponto que mais me chamou a atenção foi o alerta para que a comunidade acadêmica baixe suas armas. Este é um problema que qualquer instituição de ensino enfrenta hoje em dia, com pessoas que não conseguem reconhecer os avanços e benefícios que a tecnologia traz para o aprendizado. Se aliadas aos métodos tradicionais, estas tecnologias sempre terão algo a acrescentar à formação de um aluno, seja através da escrita ou disponibilização de informações.
Eu, por exemplo, encontrei este blog através de uma matéria de ensino a distância que curso na Universidade Federal de Minas Gerais.
É bom saber que outras pessoas também conseguem ver a Tecnologia da Informação como algo que só tem a agregar.
Saudações,
—
Brenno
about 1 year ago
apesar de nem sempre isso ocorrer de forma instantanea, para mim a correção automatica só nos ajuda e não atrapalha de forma alguma pois podemos visualizar nossos erros ortográficos de uma forma rapida , útil e ainda é forma eficiente que nos permite memorizar nossos erros para que não sejam repetidos.
about 1 year ago
O computador pode ser usado com sucesso e efetividade na educacao.
A psicologia já sabia disso desde 1950, mas hoje se esqueceu disso.
O problema entao é mais embaixo (muito mais)
Aprender com editor de texto não é aprender muita coisa nao
mesmo com o corretor ou seme também tem os que nao usam ou os que passam a correcao sem revisar.
Deveriam ser desenvolvidos softwares especificos para essa finalidade
Por Rossine Simões Batista
about 1 year ago
Concordo com você quando afirma que a correção dos editores de texto pode auxiliar na aprendizagem. Eu mesma nunca decorava como se escrevia “necessidade” mas de tanto o Word me corrigir eu memorizei que era primeiro um “C” e depois dois “S”s. Acredito que tudo reside na forma como é usado. Como você disse em resposta a um comentário, se o professor participa da interação dos alunos com a máquina, se é solicitado uma explicação do aluno a respeito da mudança sugerida pelo editor de texto, a história muda completamente de figura.
Acho que a academia age dessa forma por desconhecer a tecnologia e se sentir ameaçada em sua posição. Ao invés de aprender ela toma uma posição defensiva. Uma triste situação, com certeza.
about 1 year ago
Parabéns pelo post. Bom, concordo principalmente que tem muita gente não enxergando o novo(se tão novo) mundo a sua cara. Para começar, se preocupar tanto com perfeita ortografia… e para terminar, ainda se incomodar com uma ferramenta(qual seja) que lhe ajude a corrigir.
Quanto a Word sinônimo de Editor de Texto só comprova a falta de conhecimento da pesquisadora (porque que é comum é, mas se é pesquisadora nessa área, devia saber melhor as possibilidades de ferramentas). Abraços, Henrique Coelho