Lembra do pager/bip ? Ele ainda existe.

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Um dos dispositivos utilizados pela empresa Teletrim

Quem tem mais de 20 anos de idade vai se lembrar deste precursor do SMS do celular: o pager. Mas o que pus na foto acima é um dos mais moderninhos: os primeiros modelos eram conhecidos simplesmente como bip, pois era esse o som que se emitia quando se recebia uma mensagem. Era um aparelho que tinha um aspecto de um controle remoto de TV grande e com uma lâmpada que acendia ou piscava e o tal som de bipe. Pela cidade era espalhada uma rede de rádiofreqüência que emitia o sinal para o bipe. Seu uso era bem rococó. Jovens, preparem-se para um susto.

Cada usuário tinha um número de identificação. Até aí, sem novidades, é preciso um número para enviar um SMS. Porém, para enviar uma mensagem ao portador de um bipe, tinha que ligar para o callcenter (e esse nome nem existia) da empresa do bipe, ditar o número de identificação para um atendente e ditar a  mensagem a ser enviada. Estranho, não ? Privacidade ínfima. Como os bipes não tinham painel de LED ou LCD, a função do caro aparelho era simplesmente alertar que havia uma nova mensagem. O dono do bipe ao perceber o aviso sonoro ou visual, tinha que ligar para o mesmo callcenter, se identificar dizendo uma senha e ouvir lá do outro lado da linha o atendente ler em voz altas todas as mensagens enviadas para o número de identificação dele. É apenas um pequeno passo evolutivo em comparação ao bilhete na porta da geladeira.

Os aparelhos mais modernos, como o da foto desse artigo, possuiam painel de LCD e recebiam diretamente as mensagens, evitando a necessidade da leitura em voz alta por um atendente do callcenter, passando a ter hegemonicamente o nome pager no Brasil. Porém, o envio de mensagens ainda era feito pelo método rococó de ligar por voz e ditar para uma pessoa. Antes da difusão do celular a paritir da segunda metade da década de 90 era isso que se entendia por mobilidade.

Qual foi a última vez que você viu um pager ? Eu lembro: foi em 1999. Os SMS, chamados também ora por torpedos, ora por mensagem de texto, começavam a surgir nos aparelos e nas redes TDMA/CDMA das redes de celular mas ainda havia quem preferisse ligar para um callcenter e digitar as mensagens. As pessoas ainda penosamente se habituavam a apertar três vezes a tecla de número 2 para sair a letra C. Hoje o SMS vingou: até minha tia-avó septuagenária me manda SMS.

Mas numa tarde de pensamentos retrô, vendo o pôr-do-sol na capital paulista me lembrei da empresa Teletrim, uma das mais populares de bipes/pagers. O que será que estavam fazendo ? Fecharam as portas ? Viraram provedor discado ? Chutei no meu Firefox teletrim.com.br e deu certo, era o site deles. Descobri o que agora fazem: o core business deles é o bloqueio remoto de veículos. Sábia decisão: para quem tem uma rede de rádiofreqüência espalhada por vários municípios, é um serviço rental. Também vi um produto VoIP, via internet mesmo, e achei uma aberração os preços. E por fim vejo o agonizante serviço de pagers, ainda com aparelhos da Motorola.

Fiquei curioso… quanto deve custar em 2009 o supra sumo da mobilidade das décadas de 80 e 90 ? Liguei para 4003-8200 como indicado no site e fui deveras mal atendido. Quiseram me encaminhar duas vezes para um número 0800 que nem existe mais e os atendentes do 4003 nem sabiam disso. Fui tão insistente que tomaram nota dos meus dados e por bilhetinhos internos na empresa, algum responsável pelo setor de pager soube da minha existência, do meu telefone e cerca de 2h depois me ligou. O rapaz foi sucinto e direto:

  • Aparelho: R$60,00
  • Mensalidade: R$25,00 contemplando 6.500 caracteres recebidos. Depois disso, R$0,01 a cada 2 caracteres.
  • Ativação: em até 3 dias úteis

Será que vale a pena ? Comparemos com as redes GSM. De acordo com a Claro, SMS tem um limite de 160 caracteres por mensagem. Fiz um levantamento de quanto custa o SMS em algumas operadoras que tinham essa informação no site oficial para comparar com o serviço da Teletrim:

  • Claro: R$0,30 por SMS
  • TIM: R$0,39 por SMS
  • Vivo: R$0,35 por SMS
  • Aeiou: R$0,14 por SMS
  • Teletrim: R$0,61 (considerando cada 160 caracteres do total de 6.500)

Se formos considerar um usuário que extrapole os 6.500 caracteres no mês – o que seria cerca de 40 SMS – o preço é maior ainda: R$0,80 cada 160 caracteres, ou seja, o equivalente a um SMS.

Então como insistem em vender um serviço desses ? Não sei responder, mas reconheço três diminutas vantagens. A primeira é o envio de mensagens pelo site da empresa, serviço nem sempre disponível em todas as operadoras, como é o caso da TIM que cobra pelo envio de SMS pelo seu site. A segunda vantagem  é o serviço Etrim, que permite que e-mails sejam redirecionados ao pager, porém, ao oneroso custo revelado acima. Muito provavelmente é mais barato usar os clientes de e-mail embutidos nos dumbphones atuais via GPRS/EDGE, mas não pude me debruçar sobre essa questão. E a última singela vantagem nos lembra os primórdios do serviço: você pode receber via pager um e-mail e para respondê-lo, ligar para o callcenter e ditar para o atendente uma resposta.

Não consigo imaginar que trafegar dados na rede da Teletrim tenha um custo tão elevado Imagino que o serviço poderia ainda ter algum fôlego se não fosse tão caro e se principalmente proporcionasse recursos que geralmente não se tem via SMS. Há quem está o tempo todo na rua e precisa de comunicação permanente e assíncrona, como representantes comerciais que fazem muitas visitas. Um smartphone com um plano 3G ainda não é muito acessível, portanto, se o Teletrim tivesse um custo fixo de 25 reais e 60 reais o aparelho seria uma boa, não ?

Drosophila melanogaster

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Fiquei encantado com o recém-lançado serviço Gengibre.com.br. A definição mais minimalista dele seria ‘um Twitter de voz por telefone brasileiro’. Fiquei tão empolgado com este serviço aqui no Brasil – que já existe lá fora como o Spoink.com – que pretendo publicar uma crônica diária em voz, falando do que der na telha. As pessoas estão acostumadas a me ler ou ouvir falando sobre tecnologia. O vinialves já dizia que por eu ser polivalente (ser professor de Biologia & geek), haveria muita gente interessada nas coisas que tenho para falar sobre assuntos dos mais diversos.

Então começo aqui esse experimento da crônica diária ou ‘diário de bordo’. Ao primeiro insight, sacar o telefone, ligar para o Gengibre e mandar ver no que estava pensando na hora. Falei e falarei de improviso, logo, a forma e o conteúdo serão cunhados pela expressão da fala. As hesitações, as gaguejadas e o modo de concatenar idéias serão típicos da língua falada. Essa característica já desponta nesse primeiro post. Ele é um misto de ‘saúde pública’ com ‘Ensaio sobre a cegueira‘. Sim sim, esse livro/filme mesmo. Pois, assim como preferimos não enxergar as mosquinhas e formigas ou se enxergamos, pormenorizá-las, nosso modo de vida atual nos ensinou a ignorar aquilo que está ali, irrefutavelmente na nossa cara.

Chega de ler. É hora de ouvir. Fico ansioso pelos comentários e críticas de vocês. Dê play no flash abaixo:

VoIP (Vono) pode ser mais caro que telefonia fixa (Telefonica)

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Telefones da Segunda Guerra Mundial
Telefones da Segunda Guerra Mundial

A pedido de uma pequena empresa de São Paulo, com menos de 10 funcionários, fiz uma análise se o VoIP seria realmente uma economia para eles, como prometido por um representante comercial. O tal representante mostrou a tabela de tarifa da operadora Vono, de fato a melhor operadora em questão de estabilidade no Brasil. Isso se deve por ser uma empresa de posse da GVT, concessionária de telefonia fixa comutada do sul do Brasil.

Como se pode ver na página de tarifas, o plano de 25 reais mensais do Vono contempla o usuário com o custo de 12 centavos o minuto (p/ telefonia fixa), frente aos 13 centavos da Telefonica. Quanto maior o compromisso mensal de incluir crédito no Vono, menor a tarifa do minuto, chegando a até 6 centavos o minuto para empresas que consumirem mil reais por mês em telefonia. Um concorrente do Vono, a Azzu (CTBC), ganha na disputa pelo preço das ligações locais: 6 centavos o minuto em qualquer plano. Porém, esta tarifa não deve durar muito pois, me parece aplicar-se apenas para atrair novos clientes para o recém-lançado serviço. No caso da empresa que analisei e da maioria das empresas, o que realmente pesa na conta de telefone são as ligações para telefones móveis. Portanto, neste ensaio, processei apenas a conta de um mês de uma das linhas telefônicas desta empresa. As tarifas das ligações para telefone móvel (celular) para cada plano do Vono são:

Vono Light: R$0,65 (pré-pago sem compromisso mensal)
Vono 25:
R$0,64
Vono 75:
R$0,62
Vono 250:
R$0,60
Vono 500:
R$0,58
Vono 1000:
R$0,53

O nome do plano indica o compromisso mensal de pagamento. Ou seja, o Vono 25 custa R$25,00 mensais, dos quais podem ser consumidos com ligações para telefone celular por R$0,64. A tarifa é unificada, apesar do custo que o Vono tem em encaminhar as ligações para cada operadora de celular é diferente, o que é manifestado nas tarifas da Telefonica:

Minuto p/ Claro: R$0,78
Minuto p/ TIM: R$0,74
Minuto p/ Vivo: R$0,71

Numa leitura rápida, poderia-se imaginar que o uso do Vono para tais ligações seria de uma grande economia, o que se provou não ser verdade nesta análise que fiz. Há duas práticas maliciosas muito comuns por parte das empresas VoIP: na primeira, eles apresentam os valores das tarifas sem os impostos inclusos, (que não é o caso do Vono). E a segunda é cobrar o ‘minuto cheio’. Do site do Vono, retiro a explicação:

As ligações são tarifadas por minuto, com base no valor do minuto para cada destino. O valor do minuto para cada destino é o mesmo em qualquer hora do dia e dia da semana. A duração da ligação é sempre arredondada para cima, para minuto cheio. Como exemplo, numa ligação de 4 minutos e 30 segundos são cobrados 5 minutos. Clique aqui para ver as tarifas do Vono.

Tal informação é de enorme impacto sobre a tarifação e deveria ser muito visível, e não escondida num menu de FAQ. Pode parecer um problema pequeno, mas não é. Se sua ligação tiver 1 minuto e 6 segundos de duração, você será tarifado no Vono por 2min, enquanto na Telefonica a cobrança é feita equivalente a 1,1min (= 66 segundos).

Para entender o impacto desse método de tarifação, incluí numa planilha feita no OpenOffice Calc todas as ligações da conta Telefonica que me foi fornecida pela empresa para análise. Pus na tabela a duração e o custo destas ligações, bem como para qual operadora foram feitas. O PDF com a planilha pode ser baixado aqui. Para comparação, coloco abaixo os valores da conta real (Telefonica) e dos valores que essa conta teria nos diferentes planos do Vono:

Telefonica: R$67,86
Vono Light: R$78,00
Vono 25: R$76,80
Vono 75: R$74,40
Vono 250: R$72,00
Vono 500: R$69,60
Vono 1000: R$63,60

Ou seja, mesmo o custo por minuto do Vono ser menor do da Telefonica, a maliciosa forma de tarifação faz com que o padrão de consumo do mês analisado desta empresa sempre saia mais caro pelo VoIP do que pela telefonixa fixa, exceto no plano de mil reais de consumo mensal. Acredito que o mesmo resultado deste ensaio será encontrato em qualquer padrão de consumo, seja residencial ou comercial, pois o Vono só consegue ser mais barato que a telefonixa fixa em ligações de duração múltiplas de 60 segundos nas ligações locais para celular, o que é bem raro de acontecer como pode-se observar no PDF que publico aqui.

A diferença de R$10,14 entre a Telefonica e o Vono Light pode parecer pequena, mas suponho que esta diferença seja estável ao longo dos meses, no final do ano o uso do Vono sairia R$121,68 mais caro, ou seja, quase 2 mensalidades a mais no ano da Telefonica.

O Vono só se torna vantagem indiscutível para ligações DDD ou entre duas contas Vono (que neste caso, é gratuita). No resto, não recomendo o uso do Vono ou qualquer operadora que tarife em minuto cheio para ligações locais, seja para celular ou telefone fixo.

Portanto, recomendo a todos que quiserem migrar de operadora, seja uma operadora VoIP ou uma operadora comum, que faça ensaios como o que fiz aqui, projetando o consumo atual com as tarifas das diversas operadoras. Assim, a tomada de decisão é amparada por uma previsão mais verossímil de como será o custo em telefonia após a mudança.

Log da entrevista na PapOnline sobre IRC brasileiro e BRASnet

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Cerca de 2h30min de entrevista e mais de 1k linhas ! Foi o resultado da entrevista que dei na rede PapOnline.net no ultimo do domingo como anunciei aqui. O log é tão grande que tanto no WordPress (meu blog) e no site da rede (Joomla!) teve que ser subdividido em várias páginas. Dividi aqui no WordPress em 3 páginas em que constam as seguintes perguntas:

Página 1 – clique aqui para ler

1) Primeiramente, diga seu nome, idade, onde mora e o que faz da vida.
2) Como e quando você começou acessar a internet?
3) Então foi através desse kit que você conheceu o IRC?
4) O que te fez gostar do IRC? Em quê ele te atraiu?
5) Qual foi a primeira rede de IRC que você acessou?
6) E a BRASnet? Como você a conheceu e porque você resolveu ficar por lá?
7) Como funcionava o ’sistema’ do #Ajuda? Como eram feitas as admissões de novos Helpers? O que era necessário a uma pessoa para se tornar Helper?
8) O que era o IPPK?
9) Como você encarou a migração da maioria dos helpers para a Rede BRLink (antiga BrasIRC), sem mesmo ter o fim da BRASnet concretizado? Acusavam o HaDDeR, há certo tempo, de participar da equipe da outra Rede, coisa esta que seria encarado como fato grave em tempos remotos. Acredita que os helpers foram influenciados por ele?
10) O que mais atrapalhava o andamento do #Ajuda na sua opinião ?
11) Muita gente sonhava em ser IRCop da BRASnet. Como você se tornou e o que você diria a essas pessoas?
12) Qual sua visão dos canais de suporte atuais, tendo em base o #Ajuda da Rede BRASnet? Acredita que acabaram se tornando uma cópia barata? Ao entrar em um hoje em dia, você acaba se deparando com regras que muitas vezes você ajudou a implantar. Já acabou sendo punido por uma regra sua? (eheh)
12) Como era a sua relação com os admins Mauritz, fabulous e Yuichi ?
14) como era organizada a brasnet em si e sua administraçao junto com a staff?

Página 2 – clique aqui para ler

15) Hoje alguma Rede lhe atrai? Ainda sente motivação ou mesmo se entusiasma com o IRC?
16) A retirada do /lusers causou muita polêmica. Qual(is) foi(ram) os verdadeiros motivos para adotar essa medida?
17) Não há como falar da BRASnet e não tocar no assunto da Telemar. Por quê você acha que a Telemar decidiu se retirar da rede BRASnet?
18) Comente sobre sua briga com flash e o que levou você a sair da brasnet
19) Como você vê o fim da BRASnet? O que isso te fez sentir?
20) Você acredita em uma estrategia de Mauritz para reabertura da BRASnet dentro de algum tempo? Até porque ele ainda é o deterntor do dominio
21) Quem tinha acesso aos logs dos PVT’s, canais, etc? Havia risco de roubo/vazamento de informações dos usuários? Houve algum problema quanto a esse quesito?
22) Quem foram os roots, admins, ircops da brasnet?
23) A BRASnet era conhecida como a rede “capitilista”, cobrava por quase todos os seus serviços adicionais, o que você achava disso?
24) Por que você acha que o IRC sucumbiu?

Página 3 – clique aqui para ler

25) Você já pensou, em algum momento durante a sua ‘vida’ no IRC, em montar a sua própria Rede?
26) imagine que um patricionadar quera ajudar voce, mauritiz e companhia, sem se interessar em poder, comando, NADA. voces pensariao no caso em voltar a Brasnet? Ate pra dar a volta por cima, e fazer um recomeco, ja que sabem onde falharao.
27) Você acha que o IRC tem futuro?
28) E qual seria o interesse dele (Mauritz) em reativar os emails de usuarios da brasnet? nick@BRASnet.orgEste endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. ?
29) Se o protocólo padrão fosse o ipv6 você acha que a rede teria uma outra tragetória?
30) Você conhece o protocolo Jabber? Não achas que redes Jabber podem ser o futuro dos chats pela internet? Já que com o Jabber é possivel fazer salas de chat, igual IRC, falar por VoIP e ainda falar com menssagens instantaneas como o MSN e ICQ.
31) E o que você pensa a respeito dos comentários que dizem que integrantes da BRLink foram quem atacaram a BRASnet
32) Agora sim, hehe, O que você pensa sobre SL?
33) Aproveitando suas palavras sobre o poder de customização do mIRC, como era seu ‘Script’?
34) Nos conte um pouco sobre sua história e tragetória pelo mundo Linux, como conheceu o Linux, quando comecou a usar Linux como sistema principal. Já suou outros sistemas livres?
35) Você já participou de algum projeto relacionado a SL? Se sim, quais?
36) Qual foi o user mais chato que você já conversou ou já conheceu? (hehe)
37) E qual foi o maior mico que você já pagou? hahaha
38) Qual distro voce usa atualmente e por que?
39) quais softwares livres voce usa atualmente?
40) Você parou de dar suas consultas sexuais naquela rádio, cujo nome não me vem à  cabeça? ehehhe..
41) Você já teve ‘facilidades’ na vida real pelo fato de ser o KurtKraut?
42) Em uma pergunta anterior, você ja disse algo em relação a BrLink e seus admins, mais no geral, o que você acha dessa rede?

Extra

E como se não bastasse, algumas perguntas enviadas pelos usuários não puderam ser respondidas a tempo. A PapOnline me fez a gentileza de encaminhar por e-mail as perguntas que não respondi ao vivo e respondo-as aqui:

43) Ao pesar na balança, para você, restaram mais coisas boas ou coisas ruins do seu trabalho no #Ajuda?
R: Eu não conseguiria responder essa pergunta até pouco tempo atrás. Mas recentemente mais de uma pessoa veio me detalhar o seguinte: todo meu rigor fez com que as pessoas pudessem acreditar e confiar numa estrutura. Conseguiam ter coragem para se dedicar ao suporte no #Ajuda porque dei ao canal uma cara de instituição, com modelo de gestão, com governância. Até no mundo do Software Livre é comum você ter comunidades que funcionam quase num regime feudal, onde o Sol nasce e se põe de acordo com a vontade de uma única pessoa ou uma oligarquia. Para que a colaboração voluntária massiva ocorra 24x8x30x365, as pessoas tem que ter a tranqüilidade que a contribuição delas não irá evaporar caso elas mexam ‘com a pessoa errada’. Então todos  os ‘bad boys’ tinham medo de cometer algum deslize sabiam que eu viria cobrar com rigor. Hoje entendo que essa é uma contribuição minha que pende para o lado bom da balança.

44) Você concordava com todas as políticas adotadas na BRASnet?
R: Não. E as vezes jogava o #Ajuda politicamente contra as políticas adotadas pelo próprio Mauritz. Um exemplo clássico disso era o BotServ. Era um serviço pago e eu não achava correto que o suporte voluntário (que já era escasso) atendesse esse serviço. Então criou-se o canal #BotServ destinado a ele e o #Ajuda oficialmente não dava cobertura a esse serviço. São nesses detalhes que você vê a nobreza das pessoas: não lembro do Mauritz dizer um ‘ai’ por conta disso.

45)
Você foi um dos administradores gerais da BRASnet. Explique como era os batidores da administração, as relações entre os admins era saudável, tinha brigas?
Ora eram meras divergências, ora eram brigas sim. Mas sabíamos que tínhamos que aprender a conver junto, gostando de algumas coisas ou não. Excetuando o AYS (Yuchi), nunca usamos a rede ou os serviços dela quando brigávamos. Era apenas bate bova mesmo :P

46) Exponha aqui, caso exista, atitudes ou pessoas que você não aprovasse na administração da BRASnet.
O fabulous era irritadiço e costumava aplicar bloqueios ou punições com quem ia mexer com ele. Eu sempre adotei a mesma política do Mauritz: quando alguém vinha encher o saco, fingia que não estava vendo, que não lia. Ninguém consegue lutar contra aquilo que não vê. Se você esboça nenhuma reação, o cidadão por não saber se está te afetando ou não acaba desistindo. Fui propor esse tipo de coisa para o fbs e ele me falou algo sensato: ‘Ué, eles sabem que eu irei banir eles sempre da rede. Se eles insistem em vir me ofender é porque querem ser banidos mesmo :P’. E passei a entendê-lo. Minha maior desaprovação é com o AYS mesmo, que bania as pessoas com mensagens ofensivas ‘por brincadeira’.

47) Quem te ajudou mais a resolver os problemas administrativos na BRASnet?
R: Excelente pergunta ! Foi uma coisa que depois da entrevista percebi que passou em branco e tinha perdido a oportunidade de homenagear pessoas muito importantes que estavam nos bastidores me ajudando e no fim das contas quem recebia os créditos era eu. Destaco três pessoas que sempre se dispuseram a assinar embaixo de tudo que eu fazia, falava e nunca se recusaram a me ajudar nas tarefas mais árduas: Lion_Dart, vinialves e Black_Dragon. Certamente muitas outras pessoas deram grande apoio, como o Luizim, mas esses três foram mais perenes em toda minha trajetória.

O Lion_Dart sempre foi muito político e me assessorou bastante. Sempre me informava do que acontecia, me dava um panorama dos acontecimentos, ia falar com as pessoas por mim pois tinha tato para isso. O Black_Dragon foi quase que um porta-voz meu, repetindo as mesmas coisas que eu falava mas com mais leveza, conseguindo conquistar mais pessoas do que eu com minha rispidez de general. E o vinialves foi muito importante me ajudando no suporte@brasnet.org respondendo email por email e no Balthasar banindo IPs suspeitos. Para vocês terem uma idéia do quão chato era o trabalho do vinialves, eu passava para ele a lista dos milhares de IPs que atacavam a BRASnet ora por DDoS ora por botnet ele dava WHOIS em IP por IP, copiava o e-mail de abuse de cada IP e mandava email por email com o log do ataque e pedindo providências. Certamente ele já mandou MILHARES de e-mail desse teor.

48) Conte um pouco sobre os records de usuários que a BRASnet foi batendo ao longo dos anos.
R: Como eu disse na entrevista, é uma pena não termos a cultura de registrar a história corrente da internet. Muitas informações se perdem como essa que você me pede. Mas só para aproveitar a pergunta, eu lembro que em um único servidor, um único CPU chegou a ter 32 mil usuários conectados simultaneamente dentro do datacenter da Telemar.

49) Você administrou uma rede que tinha mais de 220 mil nicks registrados. Como vocês admins faziam para atender a todos que tentavam algum contato? (Visto que o número de PVts, por exemplo, era absurdo)
R: Os PVTs eu lia todos, mas não respondia. Fechava dando uma resposta padrão mandando ou consultar o #Ajuda ou o suporte@brasnet.org onde pessoas sob minha supervisão poderia atender os casos. O atendimento todo da rede basicamente caia sob mim e meus auxiliadores pois os outros administradores não se engajavam com isso. Era um volume estrondoso, centenas de emails diários, o que exigia muita dedicação minha e das pessoas que me apoiaram que falei anteriormente. Penso hoje como seria tão mais fácil se fosse por um sistema de tickets.

50) Fale da tão conhecida história que você foi lá na Telemar resetar os services
R: Isso não é UMA história. São várias :D Periodicamente eu ia na Telemar resolver algum problema. Ora os services travavam a máquina ou algum hardware falhava (o que acontecia na maioria das vezes). Mas lembro bem que depois de ter assistido o filme Armagedon, em que um dos personagens senta em cima da ogiva nuclear, brinca de cowboy e diz ‘Ah, eu só queria sentir o poder entre as pernas’, eu confesso que sozinho no gélido datacenter subi em cima do gabinete dos services e repeti a cena :P Cavalguei em cima de quase 30 mil pessoas online. Outro episódio hilário foi quando me dirigi à Telemar achando que era só uma questão de resetar o gabinete quando ouço a máquina do lado de fora da sala apitando. Eu precisava abrir o gabinete para ver o que era mas não tinha levado chave de fenda. Solução !? Girar os parafusos com os dentes :D Consegui girar todos exceto o último. Voltei para casa xingando o Mauritz… ‘Por que apertar tanto o último parafuso !?’ ahahah :P

Uffa… 50 perguntas ! :P Caso queiram fazer comentários, façam neste post. Agradeço a todos pelas perguntas e pelo saudosismo.

Entrevista sobre a BRASnet e o IRC brasileiro

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Fui por muitos anos um membro participante da extinta rede BRASnet de IRC. Tivemos picos de mais de 70 mil usuários brasileiros conectados simultaneamente, mais de 220 mil nicks registrados. Esses números certamente são maiores pois esses são os que lembro de cabeça. Eu participei como Ouvidor do canal #Ajuda, oficial de suporte e como Administrador Geral da rede juntamente com Mauritz e o fabulous. Sou testemunha ocular da internet brasileira antes de sua popularização, muito antes da era da web 2.0. Aliás, naquela época, o mais importante da internet mal eram os sites: o bate papo e o e-mail tinham uma posição central. A BRASnet foi a quinta maior rede de IRC do mundo e a maior da história de um único idioma, bem maior do que a Freenode ou a OFTC.

Eu me afastei da rede cerca de 1 ano antes de seu fim e desde então nunca falei por extenso do que aconteceu nem de como as coisas funcionavam. Alguns convites para entrevista rolaram, mas eu sempre recusei. Não achava importante, achava desnecessário. Mas, tenho visto que pelo pouco hábito que temos de registrar a história corrente da internet, notei que a memória e a cultura do IRC têm morrido sem deixar lápide. Cedi então a um convite feito pelo Thales, da rede PapOnline, pela delicadeza do convite. Faz uns 2 ou 3 meses que estou enrolando para marcar a data mas acho que chegou a hora. A PapOnline é uma das várias e pequeninas redes de IRC brasileiras que ainda existem, mas disputando pela mesma nanofatia de usuários.

Apontam hoje o Orkut como inventor das tais ‘comunidades virtuais’. Suspeite de qualquer ‘expert’ da área que disser isso pois, é uma ingenuidade tremenda. As comunidades virtuais surgiram antes da própria internet, com o BBS, e foram mantidas com o IRC desde o início da década de 90. E eu diria que eram comunidades mais poderosas. O Orkut, Facebook, Fotolog.net, são produtos de empresas, visam o lucro. O IRC em sua era áurea era financeiramente e tecnicamente mantido por seus usuários, uma comunidade por ela mesma. E foi assim que entrei para administração  geral da BRASnet: um usuário como outro qualquer que se engajava progressivamente pela manutenção da comunidade, até atingir o maior escalão.

Não gosto de dois pesos e duas medidas: o que é certo é certo, o que é errado é errado. Atuei com afinco como ‘polícia da rede’, punindo qualquer abuso, violação de regras ou mal uso dos serviços da BRASnet.  Criei o Balthasar, um bot que varria a rede por padrões suspeitos e bania blocos de IPs inteiros, suspendia nicks e canais.  O log dele tinha BILHÕES de linhas em menos de 6 meses de operação. Por não ser adepto da camaradagem, do jeitinho brasileiro, muita gente me odiava. O que é muito fácil… é fácil odiar quem se dispõe a organizar a comunidade quando se quer desorganizá-la, criando ataques, espalhando vírus, fazendo SPAM etc. Não deve ser difícil de achar até hoje no Google sites em ódio ao meu nome :D

Mas para minha felicidade muitas pessoas que tropeçaram comigo dizem hoje me entender. E reconhecem que na falta do meu rigor é que a BRASnet e as outras redes ainda viventes estão se degradando. Quem ainda guarda más lembranças, entendendo como era o dia a dia do meu lado da tela, não é difícil também me compreender.

O que será então que falta ao IRC brasileiro? O que a experiência da BRASnet tem a contribuir para a internet de hoje? O IRC está fadado ao fracasso? Foi por culpa do MSN e do Orkut que o IRC brasileiro sucumbiu? Esses e outros assuntos podemos discutir amanhã.

Portanto fica aqui o convite para um bate papo comigo sobre a BRASnet e o IRC brasileiro :

Onde: no canal #PapOnline em irc.paponline.net ou via webchat.

Quando: hoje (06/07/08) as 20h (Brasília)

Espero vocês lá. E para deixar uma pontinha de saudades, vejam o site da BRASnet ao longo do tempo.

Uma lição de vida em 36 segundos: cookies & amor

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Mãe: Me diz o que você acabou de dizer.
Filho: Eu gosto de você quando você me dá biscoitos.
Mãe: Você gosta de mim quando eu te dou biscoitos mas, você gosta de mim o tempo todo ?
Filho: Não… mas eu gosto de você apenas quando posso ter biscoitos. Então, o que quero dizer…
Mãe: Ah, então só quando te dou biscoitos você gosta de mim ?
Filho: Sim.
Mãe: Ah, ok. Eu te amo…
Filho: Eu… eu amo você também mas não gosto de você o tempo todo
Mãe: Ah, ok. Obrigada

O vídeo fala por si mas, as vezes custa nada resumir: nós podemos amar as pessoas e as coisas mas, isso não significa que gostemos delas o tempo todo nem que as amamos menos por isso.

Ode ao Ubuntu-PT

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No além mar também existe Ubuntu. É o caso da comunidade Ubuntu-PT, que possui um Planeta, como também aqui temos. Em homenagem a esta comunidade, ofereço para os leitores do Planeta Ubuntu Brasil um trecho de uma obra dos mais célebres portugueses que inaugura aquilo que nos mais une Brasil e Portugal no Software Livre: a língua portuguesa.

Depois de procelosa tempestade,
Noturna sombra e sibilante vento,
Traz a manhã serena claridade,
Esperança de porto e salvamento;
Aparta o sol a negra escuridade,
Removendo o temor do pensamento:
Assim no Reino forte aconteceu,
Depois que o Rei Fernando faleceu.

“Porque, se muito os nossos desejaram
Quem os danos e ofensas vá vingando
Naqueles que tão bem se aproveitaram
Do descuido remisso de Fernando,
Depois de pouco tempo o alcançaram,
Joane, sempre ilustre, alevantando
Por Rei, como de Pedro único herdeiro,
(Ainda que bastardo) verdadeiro.

“Ser isto ordenação dos céus divina,
Por sinais muito claros se mostrou,
Quando em Évora a voz de uma menina,
Ante tempo falando o nomeou;
E como cousa enfim que o Céu destina,
No berço o corpo e a voz alevantou:
- “Portugal! Portugal!” alçando a mão
Disse “pelo Rei novo, Dom João.” -

Início do Canto IV da obra ‘Os Lusíadas‘, de Camões.

Empacotar é coisa do século passado – acordo de cooperação tecnológica

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Em seu blog, Ian Murdock, o fundador do Debian nos diz em ‘Como gerenciamento de pacotes mudou tudo‘ que:

Qual é o maior avanço que o Linux trouxe para a indústria ? Essa é uma pergunta interessante, e uma que na minha opinião tem uma resposta simples: Gerenciamento de pacote ou, mais especificamente, a capacidade de instalar e atualizar software através da rede de uma forma transparente, integrada e elegante, juntamente com o modelo distribuído de pacotes. (adaptado)

De fato, é um diferencial ímpar. Mas esta tecnologia do mundo GNU Linux está presa ao século passado. Os programas já compilados que instalamos nas nossas distribuições favoritas são produzidos em um processo artesanal que me remete as antigas linhas de montagem em que cada produto precisava ser manualmente embalado.

Divido aqui a comunidade de software livre em dois grandes tipos: aquela que desenvolve, que está engajada diretamente na produção de software, na programação dele. São projetos como OpenOffice, Gnome, Apache etc. Do outro lado, temos também as comunidades que distribuem esses softwares, que fazem as distribuições como Debian, Ubuntu, Fedora, ArchLinux etc. São grupos bem distintos com culturas bem distintas e integrados pela prática rococó do empacotamento.

Para efeito de conversa, pensemos no Apache, exemplo favorito de Sergio Amadeu. Quando o projeto Apache lança uma nova versão de seu software, ele lança apenas o código fonte. Cada usuário GNU Linux, para utilizá-lo, tem que baixar o código-fonte e prepará-lo para compilar. Tal tarefa não é uma das mais fáceis e exige tomada de decisão baseada em quesitos técnicos. Cada dependência, cada pedacinho que compõe o programa teria que ser separadamente baixado, compilado e configurado manualmente. Para ferramentas grandes como Gnome e KDE isso chega a levar dias. Por isso vou um pouco além de Murdock: eu diria que o GNU Linux seria insalubre se não fossem os sistemas de gerenciamento de pacotes. Tais sistemas permitem a mágica do único comando ou com um punhado de cliques, o Apache seja instalado já previamente compilado e pré-configurado para o uso mais comum.

Mas… como o pacote do Apache ou de qualquer outro software são gerados ? Eis o processo que me dá arrepios: assim que uma nova versão do software é lançada, um voluntário de cada distribuição GNU Linux existente tem que manualmente fazer o download da nova versão do programa, compilá-la, configurá-la e por tudo isso em um pacote, que por si só, o empacotamento não é um processo simples e como a compilação, exige um engajamento em questões técnicas profundas. De fato, é uma otimização. Uma pessoa faz o trabalho sujo uma vez para que as outras milhares possam queimar essas etapas demoradas e chatas.

- Oras Kurt, mas se é tão bom, do que estas reclamando ?

Homer Simpson

Bem, não posso dizer pelos outros, mas me sinto muito estúpido quando sou obrigado a fazer algo que uma máquina faria muito mais rápido e eficientemente do que eu. Se toda a internet funciona com máquinas independentes, sendo a intervenção humana resumida a alguns Homer Simpsons olhando LEDs piscarem, por que cada singelo software tem que ser manualmente baixado, compilado, configurado e empacotado ? É uma perda de material humano e de tempo.

De fato, a força do Software Livre está em sua construção colaborativa. Mas precisamos depositar força de trabalho naquilo que realmente demanda por um cérebro orgânico. Por que não criamos scripts e softwares que automaticamente criem pacotes para cada distribuição ? Por que precisamos depender de um voluntário para que tenhamos em nossa distribuição favorita um software ? Tal processo ineficiente gera distorções: algumas distribuições tem um pacote e outras não, algumas tem versões mas atuais outras com versões antiquérrimas. Se todos usamos GNU Linux, por que manter em um cenário tão desigual em termos de disponibilidade de software ?

Em vez de cada distribuição criar a cada lançamento de softwares um pacote para ele, basta cada distribuição criar uma única vez um script para empacotar o Apache e a cada nova versão deste software, o script detecta, baixa, compila, configura e põe no repositório devido (por exemplo, os testing ou development).

- Eu já pensei nisso, mas é algo difícil de se fazer…

É difícil porque cada comunidade de desenvolvimento adota padrões diferentes. Tal diversidade atrapalha a construção destes scripts e intrisicamente seu funcionamento. O que venho aqui neste artigo propor de novo é um Acordo de Cooperação Tecnológica (ACT). Se conseguirmos padronizar o modus operandi das comunidades que desenvolvem software livre e das que distribuem, esses scripts funcionariam com tranquilidade. Mas, jamais para criar um padrão único para todas as distribuições e sim acordos de duas partes envolvidas: uma distro e um software combinam um padrão para que o empacotamento possa ser realizado. É a criação de um acordo, uma promessa de se deter a um padrão e não criar um padrão único. Exemplificando: é combinar qual vai ser o uniforme de um colégio e não que todos os colégios do mundo tenham o mesmo uniforme.

Nesse acordo, os projetos de softwares livres que possuem comunidade sólidas, como os que eu mencionei ao longo deste artigo, entrariam em acordo de cooperação com os responsáveis das distribuições que os utiliza ou os distribuem automaticamente instalados (como é o caso do Gnome para Ubuntu) para estabelecer algumas regras, algumas guidelines para o lançamento de novas versões. Onde fica que o arquivo XPTO, como que é a estrutura de XYZ, onde se armazenará o metadata da descrição do programa etc… de forma que:

a) A comunidade que desenvolve o software se compromete a seguir certos padrões no lançamento de seu código fonte, estabelecidos em consenso interno e com as comunidades das distribuições.

b) Cada distribuição assinante do acordo se compromete em desenvolver e manter scripts que façam o empacotamento automático.

- E se o script em algum momento falhar ?

É aí que finalmente deve entrar a força de trabalho humana, lendo os logs do script para detectar o erro, e providenciar a correção dele junto a comunidade que desenvolve o software ou reparando o bug do script para que ele volte a ser autônomo. Também o acordo não iria engessar os desenvolvedores e arrastá-lo para padrões artificiais. Na verdade, ninguém precisa mudar de padrão. Apenas eles precisam ser estabelecidos, listados, fixados, para que os scripts possam ser construídos e funcionarem. Dessa forma, estaremos construindo toda uma cadeia produtiva de lançamento de software livre, caminhando para mais um salto evolutivo nos sistemas operacionais GNU Linux.

UPDATE: Tenho ciência que algumas distribuições mais voltadas para a compilação no ambiente do usuário (como Gentoo e ArchLinux) têm automações parecidas. Não estou aqui sugerindo um processo na relação entre o usuário e o processo de instalação de softwares e sim no processo de empacotamento que a maioria das distribuições Linux fazem entregando ao usuário binários já compilados em forma de pacotes que dependem de intervenção humana. Se observarmos os dados do Distrowatch retirados hoje, temos como distribuições mais populares:

1- PCLinuxOS – RPM
2- Ubuntu – DEB
3- OpenSUSE – RPM
4- Fedora – RPM
5- LinuxMint – DEB
6- Sabayon – Portage
7- Mandriva – RPM
8- Debian – DEB
9- Mepis – DEB
10- Damn Small Linux – DEB
11- CentOS – RPM

Excetuando o Sabayon, todos utilizam essa abordagem manual na criação de pacotes.

Suporte a mensagens offline no Pidgin

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Pidgin

A que tudo indica, o pombo correio mais querido do mundo do Software Livre deve suportar o envio e o recebimento de mensagens offline para a rede MSN dentro de pouco tempo. É isso que se pode concluir através do roadmap do projeto, a partir do item Activate MSNPv14, versão do protocolo MSN que implementa este recursos. Alguns mensageiros instantâneos como o Emesene já utilizam tal versão do protocolo e o tradicional Pidgin é retrógrado nesse sentido. Talvez se deva pela implementação ser considerada de baixa prioridade (minor) como consta nesta roadmap.

A conclusão pode ser tirada pelo número de tickets da implementação do MSNPv14 na plataforma Trac do Pidgin. Dos 4 tickets (= pendências) desta novidade, apenas um resta ser resolvido. Este ticket corresponde a incapacidade de se remover contatos após a fusão da nova versão do protocolo. Mas, não quero aqui lançar falsas esperanças: há quase 1 ano acompanho esse processo e pouquíssimas colaborações são feitas. Quando abordei developers do projeto tentando persuadí-los a dar mais atenção para a questão, as respostas mais delicadas que recebi foram ‘use Jabber‘. Bem, se apenas dizer isso bastasse, eu não teria mais contatos no MSN e não estaria preocupado com isso. Mas somente com amplas manifestações na lista de e-mail do projeto é que podem saltar aos olhos dos desenvolvedores a importância e a urgência de tal recurso. Portanto, convido todos a fazerem tais manifestações.

Essa situação depõe contra o Linux e outros sistemas operacionais livres. Já vi muitas pessoas debocharem do Linux dizendo algo como ‘ué, mas nem com mensagem offline o Linux é compatível ?‘. É um raro quesito em que Windows fanboys têm razão. Eu dependo do Pigdin por conta dos múltiplos protocolos, por isso não migro para o Emesene. Mas tenho que ter a irritante rotina de logar conta por conta que tenho do MSN no Emesene para ler as mensagens offline. Pelo menos, acho isso menos pior do que o uso de scraps do Orkut para recadinhos assíncronos. Como costumo dizer, scrapbook não é porta de geladeira.

Geladeira

Claro: o pior cego é aquele que não quer ver

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Claro

Quando adquiri uma linha da Claro, todos que conheço torceram o nariz e disseram que eu teria problemas na certa. Demorou, mas estavam corretos. A Claro tem se demonstrado ser o pior tipo de cego: aquele que não quer ver.

Paguei minha conta no mês de julho e até a primeira semana de setembro, eles não conseguiram detectar o pagamento da mesma. Coisa que qualquer muambeiro que vende pelo MercadoLivre consegue fazer com perícia. Fui contactado pelo setor de cobrança (que parece ter uma preferência por ligar bem cedo pela manhã) e orientado a enviar um fax com o comprovante de pagamento.

Mas pera aí, um fax ?! Estamos em 2007 ! Que tipo de empresa, ainda mais uma de tecnologia, que oferece serviço de internet móvel, se relaciona com seu cliente por um… fax ? Ah, claro, a Claro ! Me recusei a enviar o fax por meios próprios. Não tenho aparelho de fax e não tem cabimento esse equipamento em tempos atuais. Perguntei a atendente se poderia enviar o comprovante digitalizado por e-mail, ela disse que não seria possível.

Como não tenho fax, eu teria que ir na rua no meu escasso tempo durante o horário comercial caçar um funcionando perto de um lugar que eu trabalhe. Além disso, teria que pagar pelo envio. Oras, se eu adimpli, se eu paguei minha conta, por que tenho que pagar para provar que paguei ? Discuti com a atendente que isso não fazia sentido e ela concordou (em algum acesso raro de lógica por parte de alguém que trabalhe lá).

A atendente me sugeriu que eu fosse até uma loja própria da Claro e pedisse lá que me enviassem o tal fax. Agora sim fazia sentido, eu seria atendido presencialmente num estabelecimento da empresa e lá fariam os trâmites corretos. Assim que fiz, fui numa dessas lojas próprias cujo endereço a atendente me passou e entreguei o comprovante original de pagamento explicando meu caso. A moça que me atendeu dirigiu-se para trás do balcão, passou o fax na minha frente e me entregou o comprovante, agradecendo e desejando-me um bom dia. Considerei o problema resolvido até que 3 dias depois, numa manhã de sábado meu telefone toca. Era o setor de cobrança da Claro, adivinhem, cobrando a conta de julho. E para eles, nenhum fax foi enviado. Incrível, não ?

E agora, o que farei ? Me recuso a pagar para provar que cumpri com meus compromissos fiinanceiros. Tentei utilizar o serviço EmailFax.com.br para cumprir a missão, mas com esse serviço não é possível enviar sinais DTMF antes do sinal de fax, tornando-se impossível navegar em um menu antes de mandar o sinal de fax, que é o caso do atendimento da Claro.

Meu karma com fax não para por aí: só esse ano a incompetência da ItauSeguros a fez perder duas vezes documentos que enviei por fax sobre o furto do meu carro. Será que essas empresas não perceberam que fax é um veículo caro, lento e problemático ? Estamos em plena era das multifuncionais… se você solicita que seu cliente envie uma imagem digitalizada, ela pode ser arquivada na empresa, replicada para vários setores, aparecer na tela do atendente do callcenter… enfim, possibilidades infinitas. Agora quando insistem que dados e documentos sejam transmitidos e armazenados em fiinas folhas curvas de papel, os acidentes são recorrentes e meu caso é para provar isso.

Se tratando de fax, o Ubuntu Gutsy Gibbon, próxima versão do sistema que será lançado no dia 18 de outubro tem novidades. O pacote hplip-gui trás uma ferramenta para envio de faxes e um address book de contatos para as multifuncionais da HP com suporte a fax. Apesar de ter encontrato impressoras dessa modalidade a partir de 300 reais, não é o meu caso. Possuo uma Photosmart C3180 que para minha surpresa foi automaticamente detectada e instalada no Gutsy: bastou ligar ela na tomada e no cabo USB que sem qualquer clique ou configuração, o Ubuntu a detectou e a ativou pronta para uso.

Por fim, queridos profissionais de TI: utilizem um neurônio a mais e por favor, implementem um sistema de recebimento e gerenciamento de imagens em anexo por e-mails. Isso qualquer sobrinho seu que saiba PHP poderá fazer por um preço bastante singelo. Ele pode usar a API do EmailFax.com.br. E quem sabe com a economia que o sistema gerará e a satisfação do cliente você conseguirá ser promovido… seria uma boa, não ? Nem precisa dizer que fui eu que deu a idéia :D

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